Os bilionários nunca ficaram tão ricosPotencial novo status de Musk como trilionário mostra por que houve um aumento tão rápido na concentração de riqueza no topo da pirâmide social. Crédito: EstadãoGerando resumoA cofundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara, de 30 anos, é a bilionária “self-made” - termo usado para descrever pessoas que construíram a própria fortuna - mais jovem do Brasil em 2026, segundo a lista dos maiores bilionários do País, divulgada pela revista Forbes na quinta-feira, 27.PUBLICIDADEEm sua estreia no ranking, Luana aparece com um patrimônio estimado em R$ 13,4 bilhões. Em dezembro, aos 29 anos, a brasileira se tornou a mulher mais jovem do mundo a alcançar o status de bilionária por meio do próprio trabalho.Pelo quarto ano consecutivo, a lista é liderada pelo cofundador do Facebook, Eduardo Saverin, que tem uma fortuna estimada em R$ 162,9 bilhões. Ao todo, o Brasil tem 255 bilionários em 2026, com um patrimônio combinado de R$ 1,86 trilhão. PublicidadeAntes de empreender, Luana seguiu a carreira de bailarina. Nascida em Belo Horizonte (MG), em 1996, ela morou por alguns anos em Joinville (SC), onde estudou na Escola de Teatro Bolshoi. Apesar dos desafios do mundo dos negócios, ela considera que os “anos mais intensos” de sua vida foram justamente durante o ensino médio.A cofundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara, tem patrimônio estimado em R$ 13,4 bilhões. Foto: Reprodução/Instagram via @luana_lopes_laraEm entrevista à Forbes, Luana contou que seus professores de balé seguravam cigarros acesos sob sua coxa enquanto ela estendia uma das pernas até a orelha, como um teste para medir por quanto tempo conseguia mantê-la levantada. A rotina era rígida: das 7h às 12h, ela frequentava aulas acadêmicas tradicionais e, das 13h às 21h, aulas de dança.Mesmo nesse ritmo intenso, a brasileira ainda encontrava tempo para estudar para competições acadêmicas, inspirada pela mãe, professora de matemática, e pelo pai, engenheiro elétrico. Ela conquistou uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e uma de bronze na Olimpíada de Matemática de Santa Catarina.PublicidadeDas sapatilhas para o MITDepois de concluir o ensino médio, Luana mudou-se para a Áustria, onde atuou como bailarina profissional no Teatro Estatal de Salzburgo. Nove meses depois, no entanto, ela decidiu mudar completamente de rota e cursar Ciências da Computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos - uma das principais faculdades de tecnologia e ciências do mundo.Foi lá que ela conheceu seu sócio, Tarek Mansour, que também estudava Ciências da Computação. Mansour - nascido nos EUA e criado no Líbano - contou à Forbes que Luana sempre sentava-se na primeira fila das aulas. Ele decidiu sentar ao lado dela e os dois tornaram-se amigos.A amizade ficou mais forte quando eles estagiaram juntos na corretora Five Rings Capital, em Nova York, em 2018. Luana disse à Forbes que a ideia de abrir um negócio no mercado de previsão surgiu durante o trajeto de volta do trabalho. “Percebemos que a maioria das negociações acontece quando as pessoas têm alguma visão sobre o futuro e tentam encontrar uma maneira de refletir isso nos mercados”, afirmou.PublicidadeSegundo a brasileira, o objetivo era permitir que investidores negociassem diretamente a probabilidade de eventos, como resultados de eleições ou fenômenos climáticos, em vez de negociá-los indiretamente por meio de mercados financeiros tradicionais.Leia tambémForbes divulga lista dos maiores bilionários do Brasil em 2026; veja quem sãoApostas em política, esporte, clima: o que é a Kalshi, empresa de brasileira que fez fortuna nos EUAForbes divulga ranking dos maiores bilionários do mundo em 2026; veja a listaCriação da KalshiLuana e Mansour se inscreveram na aceleradora de startups Y Combinator e foram aceitos em 2019, mas enfrentaram um obstáculo: o mercado de previsões ainda não era regulamentado nos EUA. A dupla, então, entrou em contato com mais de 40 advogados para entender como conseguir a aprovação federal, mas nenhum deles quis ajudar devido à pouca idade dos fundadores e ao tamanho da empresa.“Logo depois da faculdade, estávamos assumindo uma quantidade insana de riscos. Foram dois anos sem um único produto - nada lançado - e, se não conseguíssemos a regulamentação, a empresa simplesmente iria à falência”, disse Luana à Forbes. Na época, eles ainda precisavam lidar com a pandemia e a distância, já que ela estava em Londres e Mansour em Beirute.PublicidadeNo final, os sócios conseguiram o apoio do advogado Jeff Bandman, que já havia trabalhado para a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão independente do governo americano que regula o mercado de futuros. Em novembro de 2020, a Kalshi recebeu autorização da CFTC para operar como Mercado de Contratos Designado (DCM), classificando seus mercados de previsão como um tipo de derivativo conhecido como contrato de eventos - instrumentos financeiros que permitem apostar no resultado de acontecimentos futuros, como eleições, jogos de futebol e premiações do mundo pop.No entanto, no fim de 2023, a CFTC rejeitou os contratos eleitorais da empresa por considerá-los semelhantes a jogos de azar. Luana recorreu à Justiça e, em setembro do ano passado, a Kalshi conseguiu autorização para oferecer os primeiros contratos eleitorais legais nos EUA em mais de um século. Os usuários da plataforma apostaram mais de US$ 500 milhões em candidatos nas eleições americanas do ano passado e previram corretamente a vitória de Donald Trump.Atualmente, mais de 90% do volume da empresa vem de apostas esportivas, segundo a Forbes. No ano passado, a Kalshi afirmou que seu volume de negociações ultrapassa US$ 1 bilhão por semana. Ela tem parceiros variados, que vão da Liga Nacional de Hóquei (NHL) ao marketplace StockX. Em janeiro de 2025, o filho mais velho de Trump, Donald Trump Jr., entrou no conselho consultivo da empresa.Vale ler tambémO Brasil se aproxima do topo do comércio agrícola mundial Consultoria Galeazzi vê risco de piora no quadro das empresasTrês Poderes em campanha: vale-tudo tenta resguardar Supremo contra um Senado mais à direita em 2027Publicidade