Um dos maiores sinais de que estamos numa corrida espacial é que reveses ocasionais podem mudar os rumos da disputa. O programa espacial chinês suspendeu o lançamento de sua missão robótica Chang’e-7 ao polo sul lunar apenas horas antes da decolagem, na semana passada, o que a levará a um adiamento de vários meses –e pode dar a chance de os Estados Unidos pousarem primeiro em uma das regiões mais cobiçadas do satélite.

Tanto a Chang’e-7, desenvolvida pela Casc (corporação espacial estatal chinesa), quanto a primeira missão da empresa americana Blue Origin, a serviço da Nasa, com seu módulo de pouso Blue Moon Mark 1, miravam o entorno da cratera Shackleton, muito próxima ao polo geográfico sul lunar.

Originalmente, o lançamento americano estava marcado para o segundo semestre de 2026, o que daria a condição de ser o primeiro a chegar lá. Mas a explosão, em 28 de maio, do foguete New Glenn, da Blue Origin, na plataforma 36A da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, descarrilou os planos. A empresa está reconstruindo a infraestrutura de solo, bem como fazendo correções para impedir novo acidente com o New Glenn, e é difícil que tudo esteja pronto até o fim do ano, o que empurrou o voo inaugural do Blue Moon Mark 1 para, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027.