Gua sha, yoga facial e outros recursos de autocuidado ganham espaço entre quem busca suavizar marcas sem abrir mão da naturalidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Rosto sedentário': o que está por trás da busca por uma aparência mais natural? — Foto: Magnific Durante anos, a estética valorizou linhas suavizadas e pouca movimentação como sinais de um procedimento bem-feito. Agora, a busca por uma aparência mais natural e expressiva virou tendência nas redes. É nesse contexto que surgiu o termo "rosto sedentário", usado para descrever uma face com pouca movimentação, embora a expressão não tenha qualquer significado médico. A mudança de olhar ajuda a explicar a popularidade de práticas como yoga facial, gua sha, rollers e massageadores. Os acessórios e técnicas aparecem em vídeos de autocuidado e prometem, em diferentes graus, uma face mais relaxada e menos inchada. Mas seus efeitos precisam ser colocados em perspectiva: eles podem proporcionar relaxamento e, em alguns casos, reduzir temporariamente o inchaço, mas não são capazes de alterar de forma permanente a estrutura do rosto. "A movimentação da face e o tratamento da musculatura facial são coisas diferentes. A toxina botulínica reduz a contração de músculos específicos para suavizar linhas de expressão, enquanto a massagem pode promover relaxamento e melhorar temporariamente o aspecto de inchaço. Uma técnica não necessariamente anula a outra", explica a dermatologista e tricologista Bianca Almeida. Botox e yoga facial são opostos? A dúvida ganhou força justamente porque as duas propostas parecem seguir caminhos contrários. Se a toxina botulínica diminui a contração de determinados músculos, por que fazer exercícios ou massagens para movimentar o rosto? Para Bianca, a questão não deveria ser escolher entre deixar a face imóvel ou exercitá-la o máximo possível. Cada recurso tem uma finalidade diferente, e exagerar nos movimentos não significa necessariamente obter um resultado mais jovem. "A ideia de que quanto mais movimentamos o rosto, mais jovem ele ficará não é necessariamente verdadeira. A musculatura facial participa da formação das expressões e, por isso, exercícios exagerados e repetitivos precisam ser feitos com cautela. O mais importante é respeitar a anatomia e o objetivo de cada tratamento", pondera. A própria noção de naturalidade mudou. Se, em outro momento, a ausência de movimento podia ser percebida como sinal de um procedimento bem-sucedido, hoje há uma valorização maior de rostos que continuam capazes de expressar emoções. O desafio passa a ser suavizar determinadas marcas sem apagar aquilo que faz uma fisionomia ser reconhecível e viva. E os acessórios que viralizaram? Gua sha, rollers e massageadores ganharam espaço nesse movimento. Incorporados a rotinas de skincare e autocuidado, podem proporcionar sensação de relaxamento e, com movimentos suaves, contribuir para uma redução temporária do inchaço. O efeito, porém, é diferente do de um lifting ou de um procedimento de rejuvenescimento. "O uso desses acessórios pode fazer parte de uma rotina de autocuidado, desde que seja feito de maneira suave. Eles não substituem procedimentos dermatológicos e não conseguem, sozinhos, remodelar estruturas profundas da face", afirma Bianca. 'Rosto sedentário': o que está por trás da busca por uma aparência mais natural? — Foto: Magnific Também é preciso atenção ao uso desses recursos após procedimentos estéticos. Depois de aplicações de toxina botulínica ou preenchimentos, por exemplo, massagens e outras formas de manipulação devem seguir a orientação do profissional responsável, considerando o produto utilizado e a região tratada. A popularidade do "rosto sedentário" acompanha uma mudança no olhar sobre os procedimentos estéticos. A ideia de uma face perfeitamente controlada divide espaço com outra expectativa: suavizar marcas sem abrir mão da expressão. No fim, talvez seja menos uma questão de movimentar mais ou menos e mais de preservar aquilo que torna cada rosto reconhecível.
'Rosto sedentário': por que a expressão virou tendência nas redes sociais?
Gua sha, yoga facial e outros recursos de autocuidado ganham espaço entre quem busca suavizar marcas sem abrir mão da naturalidade






