Especialistas explicam como novas abordagens passaram a considerar anatomia, expressões e características individuais na hora de tratar os sinais do envelhecimento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rejuvenescimento facial: por que a busca agora é por resultados mais naturais — Foto: Magnific Durante muito tempo, a ideia de rejuvenescimento facial esteve associada à imagem de um rosto com a pele esticada e sem marcas aparentes. Nos últimos anos, porém, a abordagem passou a considerar o envelhecimento como um processo mais complexo, que envolve não apenas a superfície da pele, mas também alterações em diferentes camadas da face, como perda de volume, mudanças na sustentação dos tecidos e modificações na qualidade da pele. Nesse cenário, o objetivo das técnicas atuais não é apagar completamente os sinais do tempo, mas compreender como cada rosto envelhece e quais características podem ser preservadas durante uma intervenção. A avaliação individualizada se tornou um dos principais pontos para alcançar resultados considerados mais harmônicos, levando em conta proporções, anatomia e identidade de cada pessoa. "O resultado bem conduzido não depende apenas da redução da flacidez. A avaliação médica deve considerar a anatomia de cada paciente, a qualidade da pele, a perda ou redistribuição de volume e a maneira como os tecidos se deslocaram ao longo do tempo. Cada pessoa envelhece de uma maneira diferente e, por isso, o planejamento precisa considerar a anatomia, as proporções e as características individuais do rosto. O objetivo não é transformar a identidade do paciente, mas restaurar estruturas que sofreram alterações com o envelhecimento, preservando a naturalidade", explica Flávia Bonato, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Para a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da SBCP, o foco também está em amenizar sinais que podem transmitir uma aparência de cansaço, sem eliminar completamente características naturais. "O que o cirurgião procura então é tratar o aspecto cansado ou triste do rosto, amenizando, por exemplo, rugas mais acentuadas. Para falar a verdade, deixar um pouco das rugas e linhas de expressão é até saudável, pois o resultado final é menos artificial e exagerado, deixando o rosto com um ar mais natural", afirma. Segundo as especialistas, alguns aspectos ajudam a identificar quando um rejuvenescimento facial foi planejado de forma a respeitar as características individuais. 1. Resultado natural Um dos principais indicativos de um bom resultado é justamente a preservação da identidade. Em vez de um rosto que denuncia a realização de um procedimento, a proposta é suavizar sinais de envelhecimento mantendo as características pessoais. "O rejuvenescimento deve suavizar a aparência de cansaço e flacidez sem criar uma expressão artificial ou uma pele excessivamente esticada", diz Flávia. De acordo com a médica, quando há um planejamento adequado, a intervenção não deve chamar mais atenção do que a própria pessoa. "Quando o tratamento é bem planejado, o resultado não deve chamar mais atenção do que a própria pessoa. A ideia é que o paciente pareça descansado e rejuvenescido, mas continue sendo reconhecido. Um rosto excessivamente tensionado pode indicar que a pele foi submetida a uma tração maior do que deveria, sem que outras estruturas importantes tenham sido adequadamente consideradas", esclarece. A escolha da técnica também depende das características de cada paciente. "Como cada paciente tem uma alteração específica de cada uma das estruturas, o lifting é individualizado para cada situação. Não existe uma técnica que resolva tudo, nenhuma é melhor que a outra, o que faz a diferença é a escolha certa do tratamento", acrescenta Beatriz. 2. Avaliação das diferentes camadas do rosto O envelhecimento facial não acontece apenas na pele. Com o passar dos anos, tecidos mais profundos também podem sofrer alterações, incluindo mudanças na distribuição de gordura e na sustentação da face. "Não é possível pensar no envelhecimento facial apenas como uma pele que ficou flácida. Existem tecidos abaixo dela que também sofrem alterações. Por isso, dependendo da indicação, o planejamento deve considerar essas estruturas e o seu reposicionamento, para que a pele não seja submetida a uma tensão excessiva", observa Flávia. Em alguns casos, procedimentos complementares podem ser considerados para recuperar equilíbrio e proporção. "A lipoenxertia, por exemplo, pode ser considerada em determinados casos, utilizando gordura do próprio paciente, sempre de acordo com uma avaliação individualizada. Com ela, conseguimos repor volume de maneira natural, dando mais atenção aos detalhes e conferindo equilíbrio ao rosto", pontua. Beatriz ressalta ainda que, dependendo da necessidade, diferentes técnicas podem ser associadas: "Além disso, associamos na grande maioria dos casos elevação de supercílios, blefaroplastia, laser e tecnologias complementares, abordando o envelhecimento de forma tridimensional." 3. Preservação das expressões faciais Sorrir, falar, franzir a testa e demonstrar emoções fazem parte da identidade de uma pessoa. Por isso, um dos desafios do rejuvenescimento facial é preservar esses movimentos. "Naturalidade, na prática, significa que o rosto não parece operado. As expressões são preservadas, os volumes respeitados e reconstituídos e a identidade do paciente mantida. O objetivo é que a pessoa pareça descansada, bem cuidada, e não transformada", comenta Beatriz. Flávia enfatiza que a análise não deve se limitar ao rosto parado: "Um resultado estético não pode ser avaliado apenas quando o rosto está em repouso. O paciente continua sorrindo, falando e expressando emoções. Por isso, o conhecimento da anatomia facial é fundamental para que as estruturas responsáveis pelos movimentos e pela expressão sejam preservadas." 4. Planejamento das cicatrizes Além do resultado visual, a cirurgia envolve decisões técnicas relacionadas às incisões e ao processo de cicatrização. O posicionamento dessas marcas faz parte do planejamento desde o início. "Quando possível, as incisões são posicionadas em áreas estrategicamente escolhidas para que as cicatrizes fiquem menos perceptíveis. A cicatriz é uma parte importante do planejamento e não deve ser tratada como um detalhe secundário", detalha Flávia. Segundo a médica, fatores como técnica utilizada, qualidade da pele e características individuais de cicatrização também influenciam a evolução do resultado. 5. Respeito à anatomia do envelhecimento Cada região do rosto envelhece de uma maneira específica, e o reposicionamento dos tecidos precisa considerar essas diferenças. Para as especialistas, tratar a face como uma estrutura única pode comprometer a naturalidade do resultado. "O rosto não deve ser tratado como uma superfície que pode simplesmente ser puxada em uma única direção. Cada região apresenta características anatômicas próprias e o reposicionamento dos tecidos precisa respeitar essas estruturas. Quando existe um planejamento individualizado, conseguimos buscar um resultado mais harmônico e compatível com a anatomia do paciente", fala Flávia. Rejuvenescimento facial sem perder a identidade: entenda a nova tendência — Foto: Magnific Mais do que reduzir a flacidez, a proposta atual do rejuvenescimento facial envolve entender as transformações que acontecem ao longo do tempo e buscar uma intervenção compatível com a expressão e as características de cada pessoa. "O resultado precisa fazer sentido quando observamos o rosto como um todo. Não se trata apenas de reduzir a flacidez, mas de compreender o que mudou com o envelhecimento e planejar uma abordagem que respeite a anatomia, a expressão e as características de cada paciente", finaliza a médica.
Adeus ao rosto esticado? Como mudou a busca pelo rejuvenescimento facial
Especialistas explicam como novas abordagens passaram a considerar anatomia, expressões e características individuais na hora de tratar os sinais do envelhecimento






