Já faz dez anos, mas Paulo Gomes ainda se lembra vividamente do terror que sentiu ao pensar que a mulher, Lucirene, talvez nunca saísse do hospital —que morreria de dengue, infectada pela picada de um mosquito, o corpo tomado pela febre e por dores insuportáveis. Depois de 15 dias ela acabou voltando para casa, e levou mais alguns meses para se recuperar totalmente. A experiência mudou para sempre a maneira como ele encarava os mosquitos.
Hoje, aos 65 anos, participa com entusiasmo de uma campanha agressiva promovida pela Prefeitura de Belém, cidade onde mora, às margens da floresta, para reduzir a população do inseto e os riscos à saúde que representam.
Os agentes municipais lhe explicaram que os mosquitos se reproduzem na água parada e se proliferam em lugares úmidos e com cheiro de mofo. Paulo enche a piscina no quintal toda sexta-feira para os netos que moram perto, mas a esvazia religiosamente depois que eles vão embora, no domingo. Com a ajuda da mulher, mantém a varanda escrupulosamente limpa e organizada, onde se vê só um triciclo em um canto, uma rede no outro —e, desde o início do ano, o balde plástico que é peça-chave na estratégia local da luta contra as criaturas minúsculas.










