Por volta de 1450, três jovens indígenas foram sacrificados pelo Império Inca em duas montanhas do Chile. Uma nova pesquisa combinou uma série de análises químicas e anatômicas para reconstruir em detalhes os últimos meses de vida dessas crianças e adolescentes, e os resultados reforçam a ideia de que as mortes aconteceram no fim de uma longa peregrinação cerimonial, cujo objetivo era reforçar a aura de domínio imperial sobre vastas regiões sul-americanas.
Publicado no último dia 15 na revista especializada Science Advances, o trabalho é um dos retratos mais completos do ritual conhecido como Capacocha ("Qhapaq Hucha" em quíchua, a língua franca dos domínios incaicos). Conhecido tanto por relatos da época colonial quanto por evidências arqueológicas, em especial os corpos muito bem preservados das vítimas graças ao clima dos Andes e do deserto do Atacama, o Capacocha era uma oferenda às montanhas, consideradas seres divinos na antiga religião andina.
O sacrifício podia acontecer como resposta a desastres naturais ou para marcar a ascensão de famílias nobres ao poder, entre outros motivos. É o que explicam os autores da pesquisa, liderados por Verónica Silva-Pinto, da Universidade Diego Portales, no Chile, e Domingo Salazar-García, da Universidade de Valência, na Espanha.







