Novo modelo usou 100 mil semicondutores fabricados na China para oferecer respostas em fase de testes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Z.ai surpreendeu ao afirmar que novo modelo não roda com chips da Nvidia, mas obtém performance similar — Foto: Raul Ariano/Bloomberg A China fez de novo: nesta semana outra startup do país revelou um modelo de inteligência artificial (IA) de baixíssimo custo e alta performance — desta vez, trata-se do GLM 5.3 Flash, da Z.ai (conhecida em sua terra natal como Zhipu). O que chama a atenção neste caso é que o modelo rodou apenas com chips chineses, o que pode representar um novo ponto de inflexão para o avanço do país na corrida da IA. O lançamento do modelo foi cercado de mistério. No final de semana passado, a IA apareceu na plataforma OpenRouter sob o nome Ox Alpha e sem nenhuma afiliação oficial. Rapidamente, ele ganhou popularidade na plataforma, que é utilizada por programadores para testar e escolher diferentes IAs. Em três dias, o Ox Alpha processou 11 trilhões de tokens (os pedaços de palavras lidos e gerados por IAs), na maior estreia da história do OpenRouter. — Ele é um ótimo executor de engenharia, entregando código limpo e respeitando decisões de arquitetura tomadas anteriormente. E melhorou muito na parte visual, fugindo do óbvio. Além disso, usa muito bem a cota de tokens — explica Leo Candido, AI First Transformation Manager na Artefact. No índice da Artificial Analysis, o modelo apareceu no top 10 global, com performance próxima de conterrâneos, como o Kimi K3 e o Qwen 3.8 Max. Na quarta (26), a Z.ai revelou que o Ox Alpha era o GLM 5.3 Flash, encerrando dias de especulações. Em seu blog, a companhia afirmou que o modelo tem performance semelhante ao Claude Opus 4.8, da Anthropic. Como outros modelos chineses, o GLM 5.3 Flash consegue preços altamente agressivos. Nos preços cheios de tabela, custa US$ 0,15 por milhão de tokens de entrada (caracteres dos comandos enviados ao sistema) e US$ 0,50 por milhão de tokens de saída (caracteres gerados pelo sistema). O DeepSeek V4 Flash, o mais barato do mercado até aqui, custa US$ 0,22 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,66 por milhão de tokens de saída. Nível Nvidia No anúncio do modelo, a Z.ai surpreendeu ao afirmar que, durante o período de testes, usou apenas chips chineses para gerar as respostas do modelo, o que pode significar um ponto de inflexão para as companhias do país, que ainda dependem de chips da Nvidia. O anúncio fez as ações da empresa chinesa, negociadas em Hong Kong, saltarem 12%. — Nunca mais o mundo será igual. As sanções de Donald Trump empurraram as empresas chinesas para o desenvolvimento de tecnologia própria. Muitas companhias americanas também estão adotando as IAs chinesas. O GLM 5.3 Flash já apresenta o melhor custo de inteligência do mercado — diz Anderson Amaral, fundador da Scoras, startup que produz agentes e qualifica profissionais para a área. Para contornar limitações de memória, a Z.ai usou 100 mil chips chineses, orquestrados por um agente de IA da companhia, que direcionava as informações e driblava gargalos no sistema. Segundo a empresa, a arquitetura foi usada durante o estágio de inferência, quando o modelo dá respostas — não houve menção sobre a fase de treinamento, que pode ser mais intensiva nas demandas computacionais. Ao final, a empresa disse que, durante a fase de inferência, obteve performance equivalente a dos chips da Nvidia. A companhia não revelou a fabricante dos componentes, mas, no passado, já trabalhou com Huawei, Cambricon e Moore Threads. A companhia concluiu com uma frase para tirar o sono dos americanos: “Isso demonstra que os chips chineses podem suportar inferência de modelos de ponta de forma eficiente e econômica em grande escala”.