A decisão representa uma derrota para a acusação. A Promotoria considera os depoimentos obtidos em 2007, na base naval americana de Guantánamo, uma das principais provas do caso, segundo o jornal. O juiz Michael Schrama concluiu que a acusação não conseguiu demonstrar que Mohammed havia prestado os depoimentos ao FBI voluntariamente. Segundo o NYT, a decisão levou em consideração o uso de técnicas de coerção psicológica pela CIA contra o acusado. Também pesou o fato de agentes do FBI não terem informado explicitamente que ele poderia permanecer em silêncio ou consultar um advogado. Mohammed foi capturado em 2003 e passou por interrogatórios da CIA em prisões secretas no exterior. Ele foi submetido a técnicas de tortura e permaneceu isolado até ser transferido para Guantánamo, em 2006, segundo o jornal. A defesa argumenta que Mohammed foi submetido a anos de tortura, isolamento e confinamento antes de falar com agentes do FBI. A tese era que as técnicas utilizadas pela CIA haviam influenciado o terrorista a dizer aos investigadores o que eles queriam ouvir. A acusação ainda pode recorrer da decisão. O caso Khalid Sheikh Mohammed é apontado como suposto mentor dos ataques de 11 de Setembro — Foto: AP O julgamento será realizado por um tribunal militar. O grupo vai analisar o caso de acordo com as regras da Justiça Militar dos EUA. Segundo a acusação, Khalid Sheikh Mohammed concebeu o plano de sequestrar os aviões e treinar pilotos para atingir as Torres Gêmeas. O plano foi levado ao então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, que ordenou o atentado terrorista. Além dele, outros três réus irão a julgamento: Walid Muhammad Salih Mubarak bin 'Atash;Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi;Ali Abdul Aziz Ali. A definição da data ocorre pouco mais de um mês depois de um tribunal de apelação dos EUA impedir que Mohammed e dois dos outros réus se declarassem culpados em acordos que evitariam a pena de morte. O tribunal de apelação derrubou decisões anteriores de um juiz militar e do Tribunal de Revisão da Comissão Militar dos EUA, que haviam considerado válidos os acordos. As propostas de acordo foram apresentadas no ano passado e aceitas pelo oficial responsável por supervisionar as comissões militares em Guantánamo. Em agosto de 2025, porém, o então secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, revogou a autorização, após críticas de parlamentares republicanos. Como será o julgamento Segundo avião é visto se aproximando das Torres Gêmeas antes do impacto — Foto: AFP Segundo a decisão, o processo começará com a escolha dos militares que formarão o painel responsável pelo julgamento. As alegações iniciais serão apresentadas 30 dias após a formação do painel. Em seguida, a acusação apresentará suas provas.A defesa poderá, então, apresentar pedidos para que os réus sejam absolvidos. As duas partes terão oportunidade de responder aos argumentos e contestar as alegações adversárias.A defesa começará a apresentar suas principais provas 60 dias após o encerramento da apresentação das provas pela acusação.O processo terminará com a definição das penas, caso os réus sejam considerados culpados. O juiz rejeitou o pedido dos promotores para que o julgamento começasse em janeiro de 2027. Segundo ele, a data deixaria pouco tempo para resolver questões relacionadas às provas e outros procedimentos antes do julgamento. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
Juiz exclui do processo confissão-chave de acusado de planejar o 11/9 | G1
Segundo o 'New York Times', decisão considera que declarações de Khalid Shaikh Mohammed ao FBI não foram dadas de forma voluntária.










