Decisão representa o mais recente desdobramento em processo militar marcado por duas décadas de impasses jurídicos envolvendo os quatro detidos mantidos na Baía de Guantánamo, em Cuba 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Khalid Sheikh Mohammed, o suposto mentor dos ataques de 11 de setembro, é visto logo após sua captura durante uma operação policial no Paquistão, em 1º de março de 2003, nesta foto obtida pela Associated Press — Foto: AP, Arquivo Um juiz da Força Aérea dos Estados Unidos determinou nesta quarta-feira que Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser o mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, e três corréus sejam julgados por um tribunal militar em junho de 2028. A decisão que estabeleceu a data do julgamento, proferida pelo tenente-coronel da Força Aérea Michael Schrama, representa o mais recente desdobramento em um processo militar marcado por duas décadas de impasses jurídicos envolvendo os quatro detidos mantidos na Baía de Guantánamo, em Cuba. No mês passado, um tribunal de apelações dos EUA impediu Mohammed e dois de seus corréus de se declararem culpados em acordos que os poupariam da pena de morte. A decisão da corte de apelações reverteu determinações de um juiz militar e do Tribunal de Revisão das Comissões Militares dos EUA que haviam respaldado os acordos. Os acordos haviam sido oferecidos no ano passado e aceitos pela autoridade responsável pelo tribunal de guerra do Pentágono em Guantánamo, mas foram revogados em agosto do ano passado pelo então secretário de Defesa Lloyd Austin, em meio a críticas de parlamentares republicanos. Segundo a decisão de 11 páginas de Schrama, Mohammed e três corréus — Walid Muhammad Salih Mubarak bin 'Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali — começarão a ser julgados em 5 de junho de 2028. O processo terá início com a seleção de um colegiado formado exclusivamente por integrantes das Forças Armadas, que atuará como júri e analisará o caso de acordo com as regras da Justiça militar. As alegações iniciais começarão 30 dias após a formação do colegiado, seguidas pela apresentação das provas da acusação. Depois disso, os réus poderão apresentar pedidos para que sejam declarados inocentes. A decisão dá a ambas as partes a oportunidade de apresentar argumentos sobre esses pedidos e responder aos argumentos da parte contrária, além de permitir que os promotores reabram seu caso. A defesa começará a apresentar suas principais provas 60 dias após a conclusão da apresentação do caso pela acusação. O julgamento termina com a fase de definição das penas. Khalid Sheikh Mohammed, acusado de planejar os ataques de 11 de setembro, aparece em foto de arquivo durante sua prisão, em 1º de março de 2003 — Foto: REUTERS/Cortesia U.S. News & World Report/Arquivo Schrama rejeitou a proposta dos promotores de iniciar o julgamento em janeiro de 2027, afirmando que isso deixaria pouco tempo para a “resolução de questões probatórias e de cumprimento de determinações na fase pré-julgamento”. Mohammed continua sendo o detento mais conhecido da prisão de Guantánamo, criada em 2002 pelo então presidente americano George W. Bush para abrigar estrangeiros suspeitos de militância após os ataques de 11 de setembro de 2001. Ele é acusado de arquitetar o plano de sequestrar aviões comerciais de passageiros e lançá-los contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono. Os ataques de 11 de Setembro mataram quase 3 mil pessoas.