O vídeo da entrevista com Regina e Gabriela Duarte, feita pelo jornalista Matheus Rocha, desta Folha, é uma pérola do nosso tempo. Se você ainda não viu, veja e delicie-se. Tente chegar ao final, se conseguir.

É um vídeo capaz de inspirar algumas teses freudianas sobre a relação de mãe e filha. É uma aula sobre como diferentes gerações têm interpretações distintas sobre os mesmos fenômenos. É também ilustrativo dos desmandos vividos na televisão, como quando a Globo usou fotos pessoais de mãe e filha na abertura de "Por Amor", de 1997, sem o consentimento das duas. As disputas políticas acerca do bolsonarismo também aparecem, ilustrando nosso tempo polarizado.

Mãe e filha deixam claro que se amam. Mas sobram farpas e olhares tortos a cada fala uma da outra. É maravilhoso! Especialmente porque é muito comum. Quem não viveu ou vive algo semelhante em casa?

Quem não tem uma mãe como Regina? Uma senhora que não consegue evitar uma polêmica inútil. Que posta nas redes sociais o que vem à sua cabeça, sem dimensionar o quanto a internet, embora pareça a praça pública de antigamente, é muito mais julgadora e cruel.

Quem não tem uma filha como Gabriela? Que olha torto e se coloca em pânico diante da possibilidade, até remota, de cancelamento? Que tem a certeza de que a sua geração é superior à de seus pais.