O deputado federal por Minas pelo PSDB disse que sua ida ao Senado lhe dará melhores condições de articular um projeto de centro para 2030, fugindo da radicalização entre esquerda e direita 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O deputado federal Aécio Neves (PSDB) confirmou nesta sexta-feira (28) que voltou atrás e vai ser candidato a senador por Minas Gerais. O tucano disse que tomou a decisão após receber o apelo de centenas de pessoas para concorrer ao Senado. A jornalistas, ele declarou apreço por Alexandre Kalil (PDT), candidato a governador de Minas Gerais pela mesma chapa, e desconversou sobre apoiar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. O PDT, que forma coligação com a federação PSDB Cidadania em Minas Gerais, apoia a candidatura de Lula no Estado. A federação adotou neutralidade na eleição presidencial. "Eu havia tomado uma decisão, uma decisão serena, refletida, de me dedicar nos próximos anos à recuperação do espaço político do centro do Brasil, através da presidência do PSDB que exerço hoje. A partir dessa decisão eu passei a receber todo tipo de apelo, todo tipo de pedido à reflexão para que, nesse momento tão difícil, tão duro que passa Minas Gerais, eu, de alguma forma, me dispusesse a cooperar mais ou a participar mais desse processo. Eu quero anunciar aqui hoje que mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais", afirmou Aécio Neves. O tucano disse que o Estado chegou a uma situação quase inadministrável e precisará ter no Senado uma representatividade maior para renegociar a dívida com a União. "Se nós não tivermos uma articulação sólida e forte no Congresso Nacional, já começaremos esse debate inferiorizados. Nós já pagamos hoje pouco mais de R$ 100 milhões mensais a partir da negociação do Propag. Em cinco anos vai chegar a R$ 500 milhões. Que é absolutamente impossível de o Estado pagar", criticou. Aécio disse que, se eleito, pretende criar no Senado uma bancada dos Estados devedores para pressionar o governo federal a renegociar as dívidas dos Estados. Aécio também disse que a ida ao Senado lhe dará melhores condições de articular um projeto de centro para 2030, fugindo da radicalização entre esquerda e direita. Aécio desconversou sobre um possível apoio a Lula. "Nós respeitamos a trajetória do PDT, a sua opção nacional, mas nós estamos fazendo aqui uma opção por Minas Gerais. E é muito bom ter ao meu lado o PDT, que dialoga com o atual presidente da República, como eu tenho certeza que terei nessa caminhada também apoiadores que dialogam com outro campo político. O que eu quero ser, repito, é o candidato de Minas Gerais", disse. O tucano também declarou apreço a Kalil. "Não posso deixar de dar uma palavra aqui de apreço e de cumprimentos ao nosso candidato Alexandre Kalil ao Governo do Estado, que estará ao nosso lado nessa caminhada e que demonstrou na administração de Belo Horizonte, à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, a sua capacidade e a qualidade da sua gestão", afirmou. Questionado sobre o fato de Kalil ter sido seu adversário político no passado, Aécio disse que a política é a arte de buscar o convívio em torno de projetos comuns. "Eu sou da cartilha tancrediana, que dizia que o seu adversário político eventual não precisa ser seu inimigo, porque as circunstâncias da política podem aproximá-los", afirmou. A candidatura de Aécio foi anunciada após os candidatos ao Senado Marcelo Heringer (PDT), Gustavo Galassi (PSDB) e seus suplentes formalizarem suas renúncias no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG). A coligação vai concentrar os esforços para o Senado com apenas um candidato. Caso o TRE-MG homologue a decisão, a coligação poderá registrar a candidatura de Aécio. Embora o prazo para registro das candidaturas tenha se encerrado no dia 15 de agosto, a legislação eleitoral permite a substituição de candidatura até 20 dias antes da eleição, caso o candidato registrado faça uma renúncia formal. Aécio vinha sofrendo pressão do partido para ser candidato a senador. Segundo a pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25/8), na disputa pelas duas vagas a senador por Minas Gerais, Marília Campos (PT) lidera com 15% das intenções de voto, seguida por Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL), com 8% cada um, e Marcelo Aro (PP), com 6%. Gustavo Galassi (PSDB) e Marcelo Heringer (PDT) registraram 1% cada um. Um resultado bem diferente da pesquisa feita em julho, na qual Marília Campos liderava com 18%, seguida por Aécio Neves, com 16%. Aécio Neves (PSDB-MG) — Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados