Existem vários temas desenvolvidos com profundidade em "Meia-Palavra", primeiro romance do jornalista Helio Gurovitz, mas a questão central é o tempo, mais precisamente se as pessoas se transformam conforme ele passa.

Cinco personagens que atingem a maioridade na década de 1980 e nutrem uma forte relação de amizade, erguida desde a infância numa escola judaica no bairro paulistano do Bom Retiro, são postos à prova. Têm seu caráter e suas ideias testadas na juventude e na idade adulta. E expõem a sempre precária condição humana, com suas contradições e fragilidades.

O autor explora filosoficamente a dimensão do tempo, o que existe de fato e o que é uma ilusão da nossa mente. "O livro começa a existir para mim quando eu entendo que não há apenas uma forma de encarar o tempo", diz Gurovitz, hoje editor de Opinião do jornal O Globo. "Cada personagem vai tratar isso de uma maneira, cada um tem seu olhar."

Um deles, o cientista João, se debruça sobre isso com a visão de um matemático e considera o tempo real, desenvolvendo uma tese conhecida como o Teorema de Katz.

Já o jornalista Paulo, o único não judeu do grupo, vê o tempo como algo que o transforma. Sérgio é músico e, para ele, o tempo é um instrumento. O jornalista Max o encara como uma herança familiar passada de geração em geração. E o arquiteto Bóris, seu irmão gêmeo, tem um certo recalque, resiste a essa ideia.