É tanta luz que, por um momento, o que se vê são apenas sombras. Assim que o observador chega ao final da instalação "O Som do Silêncio", de Alfredo Jaar, o primeiro impulso é fechar os olhos para se proteger da claridade. A exemplo do sol, o célebre trabalho do artista chileno tem uma luminosidade tão sedutora quanto dolorosa.

Essa obra ilumina agora a sala expositiva da Pinacoteca do Ceará, onde está em cartaz a mostra "Você e Eu e os Outros". Com curadoria de Moacir dos Anjos, o projeto traz instalações de grande porte produzidas por um dos principais nomes da arte mundial.

Destaque da atual edição da Bienal de Veneza, a maior exposição de arte do mundo, Jaar se notabilizou por investigar o poder político das imagens e a força estética das luzes. O interesse pela luminosidade, aliás, é herança de sua formação como arquiteto.

"Assim como o pintor usa a tela, a cor e o gesto, eu uso a luz, a escala e as proporções. A luz fala, expressa ideias e sentimentos", afirma ele, ao lado da obra "A Luz do Nosso Céu".

Criada especialmente para a exposição, essa obra é formada por grandes painéis espelhados que refletem o sol de Fortaleza. A capital cearense é conhecida como terra da luz pela forte incidência solar. "Percebi que era algo especial, que não era uma luz comum", diz o artista. "Por isso, pensei em fazer uma homenagem."