Não é só no campo que se ganha jogo. Como se viu com Marcão, é no vestiário e nos treinos que os jogadores ganham confiança no técnico e harmonia entre eles 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Marcão comanda o Fluminense na Libertadores — Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC O futebol proporciona mais uma vez uma preciosa metáfora da vida como ela é. O Fluminense vinha mal, nove jogos sem ganhar, eliminado na Copa do Brasil, com um caríssimo e temperamental técnico argentino detestado pelos jogadores, com um clima péssimo no vestiário, que é onde se decidem muitos jogos, até que a torcida não aguentou mais e a pressão sobre a diretoria ficou insuportável e mandaram o gringo embora. Mais uma vez, o “assistente técnico” Marcão assumiu o time, enquanto a diretoria procurava novo técnico. E, como em outras duas emergências, com modéstia e humildade, deu conta do recado. Mas desta vez foi diferente. Na minha lembrança, Marcão está no Fluminense desde sempre, sempre esteve como um vigoroso e combativo volante, não especialmente técnico ou refinado, mas de enorme importância para o time, protegendo a defesa e apoiando o ataque, e muito querido pela torcida, durante sete anos. Sua história no Fluminense começa no sinistro e glorioso 1999, quando, depois de ser rebaixado para a terceira divisão, o time é campeão e sobe para a segunda, mas graças a um “convite” da CBF pula a segunda e volta direto à serie A. Marcão encerrou sua carreira no Fluminense, fez cursos para técnico profissional, está estudando Educação Física, e se tornou funcionário CLT do Fluminense, auxiliando todos os técnicos famosos, arrogantes e incompetentes que passaram pelo clube, aprendendo com seus erros, assimilando os esquemas táticos dos grandes técnicos que auxiliou. Agora foi diferente, porque foi pior. O time estava insuportável, a torcida irritadíssima, Zubeldía escalava mal, substituía mal, os jogadores não se entendiam em campo, nem no vestiário. Excelentes jogadores, craques de seleção, atletas experientes, não rendiam, muitos novos talentos nem sequer eram escalados, como as joias de Xerém. Marcão entrou em plena fogueira, comandando o time contra o líder Palmeiras no Maracanã. E o Fluminense fez uma partida espetacular, e dominou todo o jogo numa vitória incontestável, com a torcida em delírio. Em seguida, um desafio ainda maior. Comandar o time em Mendoza contra um time argentino invicto na Libertadores, e conquistou uma vitória heroica com o time se superando em campo e jogando muito bem, os veteranos se integrando aos mais jovens, moleques de Xerém em campo, ajudando na vitória. Desta vez, Marcão não vai continuar interino, será o técnico do Fluminense até o fim da temporada, com o time no top 5 do Brasileirão, e espera-se, com um belo salário à altura dos fracassados que o precederam. Como se viu, não é só no campo que se ganha jogo. É no vestiário e nos treinos que os jogadores ganham confiança no técnico e harmonia entre eles. Um técnico que seja agregador, que ouça opiniões dos mais experientes, que estimule e tenha confiança nos mais novos, é tão ou mais importante que esquemas táticos sofisticados e jogadas ensaiadas. O fator humano é decisivo. O próximo capítulo é as quartas de final da Libertadores, além dos primeiros lugares do Brasileirão. Vai, Marcão!
A bola e o fator humano
Não é só no campo que se ganha jogo. Como se viu com Marcão, é no vestiário e nos treinos que os jogadores ganham confiança no técnico e harmonia entre eles






