Um presidente autocentrado, com pouca noção da realidade, cujas ações não raramente culminam em desgraça. Só para não parecer a descrição exata de tantos governos por aí, em diferentes períodos, ele também combate ameaças espaciais e conta com a ajuda de uma agente ciborgue e de um sujeito sem nenhum apreço por leis e limites para defendê-lo (bom, essa parte soa realista novamente).

Dan Harmon, criador do personagem titular da animação "Presidente Curtis", jura que não quer que sua série lembre as pessoas daquilo que elas gostariam de esquecer, a política. As doses de absurdo, contudo, nem sempre tornam essa desconexão possível. Até porque o absurdo tem frequentado bastante o noticiário político, especialmente o americano.

Curtis é um derivado de outra série de animação adulta repleta de nonsense, "Rick e Morty", as aventuras de um avô cientista e seu neto que viajam entre dimensões espaciais. Simultaneamente violenta e doce, a produção original é um sucesso desde 2013, com nota 9 do público do site de cinema e TV IMDb.

Ele não surgiu nos anos Trump, mas nos anos Obama (2009-2017). À parte o fato de serem ambos negros, o mandatário fictício não lembra em nada o democrata. Tampouco lembra o republicano, com quem compartilha apenas o ego descompensado (Trump gostou tanto da brincadeira que os perfis da Casa Branca nas redes publicaram sua própria versão da sátira).