A professora aposentada Maria Elena Ferreira não é mais obrigada a votar. Aos 72 anos, poderia optar por não ir às urnas nas eleições de outubro, já que a legislação estabelece o voto facultativo a partir dos 70. Situação semelhante vive a servidora pública aposentada Carmem Araújo, que completou 70 anos em abril passado. Mesmo assim, nenhuma das duas abre mão de exercer esse direito. Ao contrário, mostram-se entusiasmadas com a proximidade do pleito. “Votar é expressar minha posição política e ajudar a eleger quem eu penso que pode melhor contribuir para o desenvolvimento de nosso país”, justifica Ferreira. Para Araújo, a relação com o voto mudou ao longo dos anos, sem, no entanto, diminuir seu interesse pelo debate eleitoral. “Durante muitos anos, o ato de votar me foi apresentado como uma obrigação, mas, no fundo, é um direito, é uma expressão de cidadania. Abster-se desse ato cívico é se omitir e não lutar por uma sociedade digna para todos. Mesmo não sendo mais obrigada, voto porque tenho consciência da importância dele no processo democrático”, salienta.
As septuagenárias se somam a milhões de brasileiros que fazem parte de um eleitorado que vem ganhando peso nas urnas ao longo dos anos: o de cidadãos com mais de 60 anos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2010, havia 20,8 milhões de eleitores nessa faixa etária. Hoje, são 37,5 milhões – crescimento de 74%, muito acima da expansão de 17% registrada pelo eleitorado em geral. O segmento já representa quase um quarto (23,6%) do total de eleitores do País, que soma 158,7 milhões. “Em setembro, completo 68 anos e, desde os meus 18, sempre votei. Nunca deixei de ir a uma eleição, porque entendo que o voto é uma conquista, faz parte da democracia e deveria estar enraizado na cabeça de todas as pessoas, independentemente da idade. Mesmo depois que completar 70 anos, se tiver saúde, continuarei votando”, afirma o empresário José Antônio de Aragão.













