Em nome da aliança política do PSB com o PT pela reeleição de Lula e Geraldo Alckmin, uma das mais conhecidas vozes em defesa da Amazônia e seus povos tradicionais corre o risco de não ser ouvida nessa campanha eleitoral. Candidata socialista ao Senado por Rondônia até a semana passada, a ambientalista Neide Suruí teve sua candidatura retirada por decisão da Executiva Nacional do PSB, medida que atingiu também o jornalista Samuel Costa, candidato a governador, e a ex-juíza Rosângela Cipriano, outra candidata à senadora na chapa puro-sangue do partido.

A decisão, que teve o aval do presidente nacional João Campos, tem o objetivo de alinhar o PSB à candidatura ao governo do ex-deputado federal Expedito Netto, do PT, já apoiado por PV, PCdoB, PSOL e Rede. Diante da resistência da direção estadual em declarar apoio a Netto, a Executiva Nacional do PSB decidiu dissolver o diretório estadual em Rondônia, mas essa opção é denunciada pelos atingidos como uma intervenção “de cima para baixo” que fere as práticas de democracia interna tradicionais no partido.

Costa, que participou do debate na Band mesmo após a decisão nacional, garantiu que não irá “jogar a toalha” e afirmou que, se necessário, a direção estadual destituída dará entrada em ação na Justiça Eleitoral para manter as candidaturas: “Seguimos firme. Não cometemos nenhum tipo de ilícito e essa intervenção é natimorta. Será refutada ponto a ponto”.