Santa Catarina é quem registra a menor representatividade negra dentre as candidaturas femininas; Rio Grande Sul tem o percentual mais alto de mulheres brancas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Marizete Pires (PSB), Adrielle Reis (MDB), kleide Valente (União) e Cecilia Costa (PSOL): candidatas pretas a deputada federal na Bahia — Foto: Montagem/Reprodução TSE A Bahia tem o percentual mais alto de mulheres pretas entre as candidaturas femininas de cada estado nestas eleições. Das 1200 candidatas registradas na unidade federativa, 126 se identificaram dessa forma, o equivalente a 30,29% do total. É o único estado brasileiro em que esse índice ultrapassa 30%. Os dados fazem parte do levantamento realizado pelo GLOBO, a partir das informações oficiais divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quando levada em consideração a soma das candidatas pretas e pardas, a Bahia alcança a marca de 80,05%. Em números brutos, isso significa 333 das 416 mulheres na disputa. Para efeito de comparação, o estado que mais se aproxima desse índice é o Piauí, cuja as candidaturas negras totalizam 71,85%, uma distância superior a 8%. O quadro reflete a realidade racial da população baiana. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na última pesquisa Censo realizada em 2022, mais de 57% das mulheres na Bahia se identificaram como pardas, enquanto cerca de 22% autodeclararam-se pretas, um conjunto que supera os 79%. Por outro lado, os três estados do Sul do país registram as maiores concentrações de mulheres brancas dentre as candidaturas, todas acima da casa dos 70%. O Rio Grande do Sul lidera com 76,39%, seguido por Santa Catarina, que possui 75,89%. O Paraná vem mais distante, com a marca de 71,67%. Na representativa negra, a porcentagem mais baixa é a catarinense, onde 21,74% das concorrentes se declaram pretas e pardas. Região Norte lidera percentual de candidatas indígenas e amarelas Com relação às candidatas autodeclaradas indígenas, Roraima é quem possui o maior percentual, sendo 5,04% das mulheres que pleiteiam algum cargo nas eleições deste ano. O Amazonas aparece em segundo, representando 4,94% das candidaturas femininas. O Mato Grosso do Sul completa o pódio, tendo 4,05% das concorrentes como descendentes de povos originários. Já no caso das candidatas que declararam ser da raça amarela, a concentração mais alta é registrada no Acre, onde contabilizam 2,84%. Apenas outros três estados possuem índices acima do 1%: Distrito Federal (1,74%), Mato Grosso do Sul (1,35%) e Paraná (1,11%). Há ainda o fato de que oito unidades federativas não tiveram nenhum registro de mulheres identificadas dessa maneira. Confira abaixo a tabela com os percentuais: CANDIDATURAS FEMININAS POR RAÇA E ESTADO (PORCENTAGEM) ESTADOS PRETAS PARDAS BRANCAS INDÍGENAS AMARELAS TOTAL FEMININO TOTAL GERAL ACRE 12,06% 58,16% 26,24% 0,71% 2,84% 36,91% 100,00% ALAGOAS 12,87% 50,50% 36,63% 0,00% 0,00% 36,20% 100,00% AMAPÁ 20,66% 49,59% 28,93% 0,83% 0,00% 38,05% 100,00% AMAZONAS 5,56% 62,35% 26,54% 4,94% 0,62% 35,06% 100,00% BAHIA 30,29% 49,76% 18,51% 1,20% 0,24% 34,67% 100,00% CEARÁ 14,11% 42,34% 41,13% 1,61% 0,81% 35,33% 100,00% DISTRITO FEDERAL 16,09% 33,91% 47,39% 0,87% 1,74% 35,38% 100,00% ESPÍRITO SANTO 19,70% 40,91% 38,38% 1,01% 0,00% 34,02% 100,00% GOIÁS 12,17% 43,62% 43,32% 0,30% 0,59% 37,99% 100,00% MARANHÃO 14,35% 50,72% 34,45% 0,48% 0,00% 34,72% 100,00% MATO GROSSO 10,67% 38,00% 47,33% 4,00% 0,00% 34,01% 100,00% MATO GROSSO DO SUL 8,78% 28,38% 57,43% 4,05% 1,35% 35,32% 100,00% MINAS GERAIS 23,15% 34,02% 42,05% 0,47% 0,31% 35,08% 100,00% PARÁ 18,70% 48,09% 30,92% 1,91% 0,38% 36,75% 100,00% PARAÍBA 15,29% 37,58% 45,86% 1,27% 0,00% 36,09% 100,00% PARANÁ 13,06% 13,89% 71,67% 0,28% 1,11% 33,96% 100,00% PERNAMBUCO 14,29% 46,50% 37,99% 0,30% 0,91% 34,56% 100,00% PIAUÍ 22,22% 49,63% 27,41% 0,00% 0,74% 33,83% 100,00% RIO DE JANEIRO 27,35% 27,50% 43,80% 0,90% 0,45% 33,22% 100,00% RIO GRANDE DO NORTE 11,48% 34,43% 51,64% 1,64% 0,82% 37,65% 100,00% RIO GRANDE DO SUL 13,89% 8,61% 76,39% 1,11% 0,00% 34,35% 100,00% RONDÔNIA 13,29% 48,25% 37,06% 0,70% 0,70% 33,26% 100,00% RORAIMA 13,67% 53,24% 28,06% 5,04% 0,00% 35,37% 100,00% SANTA CATARINA 12,65% 9,09% 75,89% 1,98% 0,40% 36,51% 100,00% SÃO PAULO 14,49% 17,41% 66,24% 0,93% 0,93% 33,13% 100,00% SERGIPE 14,74% 50,00% 33,97% 0,64% 0,64% 39,00% 100,00% TOCANTINS 23,97% 47,11% 27,27% 0,83% 0,83% 34,08% 100,00% BRASIL 17,31% 34,85% 46,07% 1,17% 0,60% 34,85% 100,00% Se os dados percentuais de candidaturas femininas por raça em cada um dos estados reflete, de certa forma, a realidade populacional, o mesmo não pode ser dito dos números gerais de mulheres disputando cargos no país. Embora o percentual tenha crescido em relação ao último pleito, indo de 33,27%, em 2022, para 34,85% agora, a proporção segue distante de refletir a maioria que elas são na população brasileira, onde somam 104,5 milhões, o equivalente a 51,5% do total. Para efeito comparativo, o percentual de mulheres aptas a votarem nas eleições de 2026 reflete com mais fidelidade essa proporção de gênero populacional. Ao todo, elas são 83,9 milhões de eleitoras, o correspondente a 52,8%. A distância em relação aos homens que podem ir às urnas já ultrapassa a marca de 9 milhões, tornando-se um importante fiel da balança na hora de definir os resultados. Essa contradição também é observada quando se trata da proporção de candidaturas femininas diante das masculinas lançadas por cada partido político. Em 2026, das 30 legendas aptas a participarem dos pleitos, apenas uma conta com um número de mulheres superior ao de homens entre os nomes na corrida. Trata-se do Unidade Popular (UP), que possui 100 candidatas entre 186 postulantes, o equivalente a 53,76%. *Aluno do Curso Jornalismo do Futuro sob supervisão de Ricardo Ferreira