Gigantes financiam pequenos reatores para suprir energia desses equipamentos com o avanço da inteligência artificial e da análise de dados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 “O que precisamos é energia sob todas as formas: renovável, não renovável, tanto faz. Ela precisa existir, e rapidamente.” A declaração de Eric Schmidt, ex-CEO do Google, ao Comitê de Energia e Comércio da Câmara de Representantes dos Estados Unidos em 2025, em audiência sobre o futuro da inteligência artificial, resume o desafio de garantir eletricidade para alimentar data centers cada vez mais potentes. Essa corrida está levando big techs a financiar novas fontes; há investimentos em renováveis, mas a energia nuclear ganhou importância para assegurar o fornecimento contínuo a longo prazo. O setor de tecnologia respondeu por cerca de 40% dos contratos globais de fontes renováveis em 2025, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Mas a explosão no consumo provocada por data centers - que aumentou 17% no mundo no ano passado e deve mais do que dobrar até 2030, prevê a agência - impulsiona as plataformas a se voltar para a opção nuclear. Isso inclui projetos para reativar usinas fechadas, contratos de compra de energia e investimentos em pequenos reatores nucleares (SMRs, na sigla em inglês), cuja produção e instalação é simplificada: são fabricados em módulos, o que permite a implantação de vários próximos a grandes consumidores. Big techs buscam energia nuclear sobretudo nos EUA, que concentram 45% do consumo mundial de eletricidade por data centers, à frente de China (25%) e União Europeia (15%), segundo a IEA. O total de acordos com SMRs cresceu de 25 GW em 2024 para 45 GW no final de 2025. A Microsoft firmou acordo de 20 anos com a Constellation Energy que viabiliza reativar um reator da Three Mile Island fechado desde 2019, por motivos econômicos, que deve voltar a operar em 2027. A usina sofreu um acidente nos anos 1970 que representou uma guinada na concepção dos sistemas de segurança de novas centrais no mundo. Amazon, com a X-Energy, e Google, com Kairos Power e Elementl Power, têm acordos que preveem SMRs. Já a Meta tem contratos com diferentes fornecedores, incluindo Oklo, TerraPower e Vistra. Em comunicado no início do ano, a Meta afirmou ser “um dos mais importantes compradores de energia nuclear da história americana”. “A intermitência das energias renováveis pode dificultar uma maior utilização dessas fontes no setor de data centers, favorecendo o uso da energia nuclear, considerada a melhor opção de geração de baixo carbono para esse tipo de uso”, diz Edouard Lotz, autor de um estudo sobre o tema da consultoria Omnegy. A IEA considera a energia nuclear como limpa por ser de baixa emissão de carbono. Mas organizações ambientais como a Greenpeace contestam essa visão, destacando que a fonte produz resíduos radioativos. O aumento da potência de data centers em construção também reforça a necessidade de fornecimento contínuo, diz Lotz. E já vem provocando protestos motivados pelo impacto ambiental e pela alta nos preços da eletricidade. Nova York foi o primeiro Estado americano a impor, em julho, uma moratória que bloqueia a construção de data centers que consumam a partir de 50 GW. A França, com o segundo maior parque nuclear do mundo e exportadora de energia, anunciou recentemente que o país receberá € 45 bilhões para a construção de quatro hyperscalers. O avanço tecnológico também pode ser utilizado para tornar o sistema elétrico mais eficiente, detectando, por exemplo, falhas e otimizando a rede ou prevendo melhor a geração de solar e eólica, afirmam especialistas. Enquanto não se sabe se a ideia de Elon Musk de enviar datas centers ao espaço seria viável, continua na Terra a corrida por energia para alimentar IA e data centers cada vez maiores.