Mercado aguarda leilão do Bipolo Nordeste II, cujos aportes podem chegar a R$ 25 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Linha de transmissão de energia; mercado aguarda leilão do Bipolo Nordeste II, cujo aporte pode chegar a R$ 25 bilhões — Foto: Ricardo Botelho/MME Um dos destaques nos próximos anos será a continuidade da expansão do sistema de transmissão de energia elétrica no Brasil, com a chegada de novas tecnologias. Em um contexto em que os investimentos em geração andam em compasso de espera, o setor se torna um polo de atração de investimentos para diversos grupos, o que tende a ampliar a concorrência. Em maio, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou relatório e a base de dados do projeto chamado Bipolo Nordeste II, que deverá contemplar uma tecnologia inédita no país: a aplicação do sistema conhecido como VSC, usada em redes de transmissão de energia em corrente contínua. “É uma tecnologia reconhecida pela elevada flexibilidade operativa e por sua adequação a sistemas elétricos com alta inserção de geração renovável variável”, afirma o presidente da EPE, Thiago Prado. O bipolo ampliará a capacidade de escoamento entre Nordeste e Sudeste e também traz mais segurança para o Sul, cuja hidrologia tem sido mais variável. O empreendimento prevê um elo de aproximadamente 2,5 mil km e capacidade de transmissão de 3.000 megawatts (MW). Os investimentos poderão ficar em torno de R$ 25 bilhões, mas não há previsão para o leilão; consta ainda apenas como recomendação da EPE. O novo bipolo diverge estruturalmente do Nordeste I, licitado em 2023 e cuja operação pode ser antecipada de 2030 para 2028. Além de elevar a capacidade de transmissão, o Nordeste II tem uma topologia de conexão distinta, com terminal conversor no Rio Grande do Norte, em meio a um bolsão de alta concentração de parques eólicos e solares, enquanto o Nordeste I liga Silvânia (GO) a Graça Aranha (MA), uma zona periférica em relação aos principais centros de geração da região. Com aproximadamente 1.500 km de extensão, a nova linha deverá contribuir para a redução do curtailment - cortes de energia determinados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) quando há excessos de oferta -, avalia Rodrigo Borges, diretor executivo da Aurora Energy Research no Brasil. “Se o projeto do Bipolo Nordeste II for a leilão, iremos estudar”, diz Luiz Coimbra, diretor de relações com investidores da Alupar. A empresa participou em 2023 da disputa de um lote do Nordeste I que acabou vencido pela chinesa State Gride, projeto que tem mais de R$ 18 bilhões em investimentos. Se o projeto do Bipolo Nordeste II for a leilão, iremos estudar [a participação]” A expansão do sistema de transmissão de eletricidade coincide com os leilões de armazenamento, o que criará um novo nicho de negócios para grupos que atuam nessa área. Previstos para dezembro, esses leilões preveem contratos de 15 anos, o que traz previsibilidade de receita para as empresas. “Estamos com projetos cadastrados no leilão de armazenamento”, afirma Coimbra. “É um modelo com semelhanças da transmissão”. A expansão da transmissão terá o desafio de acompanhar o crescimento de grandes cargas, como os data centers. Há cerca de 60 GW de projetos cadastrados no país, com maior concentração em São Paulo. Essa expansão cria a necessidade de o país avançar em mecanismos como a resposta da demanda. “Quanto da expansão da transmissão será arcada por todos os usuários? Essa é uma questão em discussão no mundo”, destaca Prado, da EPE. Mecanismos de resposta da demanda são formas de aumentar a flexibilidade na operação. Em vez de apenas aumentar a oferta de energia para atender a picos de consumo, o ONS convida grandes consumidores a desligarem parte de suas operações ou mudarem horários de produção quando o sistema está sob estresse.