Titular do Planalto tem o governador Elmano de Freitas como postulante no pleito deste ano; petistas tentam desgastar tucano o associando ao bolsonarismo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula tem Elmano de Freitas como candidato ao governo do Ceará — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo e Reproduções Aliados de Ciro Gomes (PSDB) adotaram como estratégia na corrida pelo governo do Ceará a defesa de um voto casado no tucano e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal cabo eleitoral do estado. O petista, por sua vez, tem o governador Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição, como candidato. Ele aparece atrás de Ciro nas pesquisas de intenção de voto. O ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes é um dos que defende publicamente o voto casado. Nas redes sociais, o irmão de Ciro e do senador Cid Gomes (PSB), que integra a chapa de Elmano, publicou uma imagem gerada por Inteligência Artificial (IA) que simula um aperto de mão entre o tucano e o presidente: “Lula lá, Ciro cá”, diz a postagem. — Eu não tive como intenção primeira puxar uma corrente. Manifestei meu voto. Se puder influenciar quem eu puder, para atrair apoio aos meus candidatos, farei. Se o Lula tem maioria no Ceará, obviamente Ciro precisa do voto de quem apoia o presidente — afirmou Ivo ao GLOBO. Montagem publicada por Ivo Gomes — Foto: Reprodução Ivo rompeu com Elmano após o petista formar aliança com a família Rodrigues, do prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues, e do deputado Moses Rodrigues — rivais históricos dos Ferreira Gomes na região. Ivo classificou o movimento como uma falta de consideração e uma traição pessoal, dado o desgaste que o apoio a Elmano já havia causado na relação com seus irmãos. O voto casado também é defendido pelo deputado federal Mauro Benevides Filho (União), que foi vice-líder do governo Lula na Câmara até a semana passada. Ele foi retirado da função por ter coordenado o programa de governo de Ciro. — A campanha do Ceará é para libertar o estado das facções. Defendo o voto em Ciro e em Lula — diz Benevides Filho. A campanha de Ciro atua para evitar a nacionalização da disputa. Há tentativa de atrair eleitores de diferentes campos ideológicos, tratando a segurança pública como principal tema do pleito deste ano. Apesar de ter o PL na chapa, com a candidatura de Alcides Fernandes ao Senado, Ciro descarta a possibilidade de ter o presidenciável do partido, Flávio Bolsoanaro, em seu palanque. Uma das estratégias da campanha de Elmano é a associação do tucano ao bolsonarismo local. — Ciro não pode ter apoio dos bolsonaristas do Ceará, mas o Elmano pode? Júnior Mano, Yuri do Paredão, Moses Rodrigues, Oscar Rodrigues estão com Elmano — questiona Ivo Gomes. Nesta semana, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TCE-CE) determinou a remoção de uma publicação de Camilo Santana (PT) na qual o senador afirma que Ciro é o “candidato de Flávio Bolsonaro” na disputa pelo governo estadual. O vídeo traz declarações do tucano críticas a Lula e reforça o apoio do presidente à candidatura de Elmano. “Elmano é o candidato de Lula no Ceará. Ciro tenta enganar o cearense, mas não cola! Ciro é o candidato do PL de Bolsonaro. Ele não pode negar. O fato é que Elmano é Lula, e Lula é Elmano”, escreveu Camilo na postagem. Cabos eleitorais Pesquisa Datafolha divulgada neste mês mostra que Lula é o maior cabo eleitoral do estado, superando numericamente o senador Camilo, além do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e Flávio. Os dados apontam que 41% dos eleitores cearenses declaram que votariam com certeza em um candidato apoiado por Lula. Já 19% talvez votariam, 38% não votariam de jeito nenhum e 2% não opinaram. Já o apoio de Flávio, por exemplo, levaria 22% dos eleitores cearenses a votarem com certeza no candidato referendado por ele. Por outro lado, 14% talvez votariam, 62% não votariam de jeito nenhum e 2% não opinaram. A pesquisa mostrou Ciro com 52% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Elmano. O tucano também está na dianteira na simulação de segundo turno, com 55%. Já o petista marca 37%. Rompimento político Nos últimos meses, Lula fez críticas pontuais a Ciro. Em entrevista aos podcasts “As Cunhãs” e “Não Inviabilize”, no meio de agosto, o petista afirmou que o tucano é muito “personalista” e “acha que o mundo gira em torno dele”. — Eu quando falo do Ciro falo de uma pessoa que gostei muito, não falo de uma pessoa que eu não gosto. O problema é que o Ciro acha que o mundo gira em torno dele. Quantos partidos ele já entrou? A única coisa que presta é o que ele acha que presta. Ele não se enquadra em um coletivo — disse Lula, que completou: — Se ele fosse escrever um livro, o título seria “eu me amo”. Lula disse, posteriormente, que quer guardar “as lembranças das coisas boas” que fizeram juntos: — Não vou ao Ceará falar mal dele. Ele tomou o destino dele. Ele achou que ia ser a salva pátria da esquerda e não foi, do centro e não foi. Ele disputou comigo, ele poderia ter ganho de mim. Ele é tão sabido. Ele tem que saber que a grande coisa de alguém que quer ser presidente é ter um pouco de humildade. E ele não tem. Esse é o dado concreto. Lula e Ciro tiveram uma relação próxima, principalmente no primeiro mandato do petista, quando o hoje tucano foi ministro da Integração Nacional. Com o correr dos anos, mantiveram o contato, apesar de alguns ataques pontuais. O clima entre eles, porém, se deteriorou ao longo da eleição de 2018. Lula era o candidato do PT, chegou a ser inscrito na Justiça Eleitoral, mas foi impedido de concorrer por causa de condenação na Lava-Jato — posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os petistas ofereceram a Ciro a possibilidade ser vice de Lula para depois que ocorresse o indeferimento — desta forma, o tucano assumiria a cabeça da chapa. Ciro classificou a oferta, entre outros termos, de “aberração” e “papelão” e disse que não aceitaria ser um “vice de araque”. O tucano se candidatou ao Planalto pelo PDT na ocasião e terminou em terceiro lugar, com 12,46% dos votos válidos no primeiro turno.
'Lula lá, Ciro cá': aliados do candidato do PSDB ao governo do Ceará defendem 'voto casado' com o presidente no estado
Titular do Planalto tem o governador Elmano de Freitas como postulante no pleito deste ano; petistas tentam desgastar tucano o associando ao bolsonarismo






