O príncipe Harry e sua esposa, Meghan Markle, chegaram acompanhados dos filhos ao Reino Unido nesta quarta-feira (26), de acordo com a rede pública britânica BBC. A viagem teria sido feita em um voo particular. A mudança foi noticiada na semana passada, prevista para ocorrer neste mês. No momento, o casal não retomará suas funções oficiais, mas viverá na Grã-Bretanha como membros da realeza sem exercer atividades remuneradas. De acordo coma imprensa, é previsto que Harry (41 anos) e Meghan (45) se instalem em uma residência privada na Inglaterra, e seus filhos, Archie (7) e Lilibet (5), sejam matriculados em um colégio britânico para começar o próximo ano letivo em setembro. O retorno supõe uma mudança importante em relação à posição expressada por Harry nos últimos anos. Em uma entrevista à BBC em 2025, o príncipe disse que não conseguia imaginar um cenário em que pudesse levar novamente sua esposa e seus filhos ao Reino Unido, devido, em particular, às preocupações com sua segurança. O retorno de Harry e Meghan ao Reino Unido ocorre depois de uma temporada nos Estados Unidos que, segundo analistas da realeza, ficou aquém das expectativas. A série culinária de Meghan teve recepção negativa, o casal encerrou a parceria com o Spotify e não conseguiu manter o contrato original com a Netflix, que foi substituído por um acordo menor. Para especialistas, a mudança pode representar uma tentativa de reposicionar a imagem do casal e recuperar espaço antes que o príncipe William assuma o trono. Outro fator seria a relação de Harry com o pai, o rei Charles III, que está em tratamento contra um câncer. O príncipe já declarou que gostaria de se reconciliar com a família e chegou a dizer que não sabia quanto tempo de vida o pai teria. Em julho, Harry e Meghan se encontraram brevemente com Charles no Reino Unido, na primeira ocasião em quatro anos em que os filhos do casal viram o avô. Para analistas, o encontro positivo pode ter criado um ambiente favorável para a reaproximação. Novo endereço Desde que deixaram as funções oficiais da família real, em 2020, Harry e Meghan vivem em Montecito, na Califórnia. Agora, o casal teria escolhido uma nova residência no Reino Unido, fora de Londres e sem ligação com o patrimônio da família real. Uma das possibilidades apontadas é Cotswolds, região rural no oeste da Inglaterra onde Harry passou parte da infância. A família deve manter a casa nos Estados Unidos e também uma propriedade em Portugal. Em julho, Harry e Meghan passaram algum tempo na propriedade ancestral de Althorp, pertencente ao tio do príncipe, Charles Spencer, onde Diana, mãe de Harry, cresceu e foi enterrada. Veja fotos dos castelos da família real britânica 1 de 15 Palácio de Buckingham — Foto: Dan Kitwood/Bloomberg 2 de 15 Estandartes reais no Castelo de Windsor — Foto: Visit England/Doug Harding X de 15 Publicidade 15 fotos 3 de 15 Palácio de Holyroodhouse, em Edimburgo, é a única residência oficial fora da Inglaterra — Foto: British Tourist Authority/ Divulgação 4 de 15 O Castelo de Balmoral, em Aberdeenshire, na Escócia, por exemplo, ganhou notoriedade por ser a última morada da rainha Elizabeth II — Foto: Reprodução X de 15 Publicidade 5 de 15 Clarence House — Foto: Christopher Simon Sykes/Reprodução 6 de 15 Kensington Palace já foi o lar de Harry e Meghan — Foto: Divulgação/Historic Royal Palaces X de 15 Publicidade 7 de 15 Palácio de St. James — Foto: Reprodução 8 de 15 A Tamarisk House fica localizado nas Ilhas da Sicília (não a mais famosa, ao sul da Itália, mas sim as localizadas ao sul do Reino Unido, parte da Inglaterra). Ela pertence ao duque de Cornwall, primeiro na linha de sucessão ao trono — atualmente o príncipe William — Foto: Divulgação/Duchy of Cornwall Holiday Cottages X de 15 Publicidade 9 de 15 Guarda britânico em frente ao Palácio de Buckingham, em Londres, capital do Reino Unido — Foto: Reprodução / Pixabay 10 de 15 Construído no século XII como um mosteiro, Holyroodhouse é o centro da política escocesa há séculos e endereço da família real em Edimburgo — Foto: Pixabay / Reprodução X de 15 Publicidade 11 de 15 Vista aérea de Sandringham House, a casa de campo da família real britânica onde os monarcas costumam passar o inverno — Foto: Wikimedia Commons / Reprodução 12 de 15 Parte dos jardins e da fachada do castelo real de Hillsborough, endereço oficial da família real britânica na Irlanda do Norte — Foto: Discovery Northern Ireland / Reprodução X de 15 Publicidade 13 de 15 Fachada do Frogmore Cottage, localizado perto do Castelo de Windsor, da família real do Reino Unido — Foto: Divulgação / Royal UK 14 de 15 Jardim nos arredores do Frogmore Cottage, localizado perto do Castelo de Windsor, da família real do Reino Unido — Foto: Divulgação / Royal UK X de 15 Publicidade 15 de 15 Interior do Frogmore Cottage, localizado perto do Castelo de Windsor, da família real do Reino Unido — Foto: Divulgação / Royal UK Monarquia britânica possui mais de 20 propriedades entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte Nova rotina O retorno não significa que Harry e Meghan voltarão a exercer funções oficiais na monarquia. Desde que deixaram a família real, a posição do Palácio de Buckingham permanece a de que atividades comerciais e compromissos como membros da realeza são incompatíveis. Especialistas também avaliam que os negócios do casal, como podcasts, programas de estilo de vida e projetos empresariais, não se encaixariam no modelo de trabalho voltado ao serviço público. Harry, porém, mantém vínculos com instituições britânicas. Ele é patrono de organizações de caridade e continua à frente dos Jogos Invictus, competição para veteranos feridos que será realizada em Birmingham no próximo ano. Meghan, por sua vez, lançou em 2025 a marca As Ever, voltada para produtos de estilo de vida e gastronomia. O casal também mantém uma relação com a Netflix, embora em condições menores do que no acordo inicial, avaliado em US$ 100 milhões. Reação na família real O rei Charles teria recebido com satisfação a decisão do filho, embora tenha sido informado dos planos apenas poucos dias antes do anúncio. A reação de William, por outro lado, seria bem diferente. Segundo um jornalista que acompanha a monarquia britânica, o herdeiro do trono estaria furioso com a mudança. Segundo a agência de notícias britânica PA, Charles III acolheu favoravelmente a possibilidade de ver "mais membros da família a título pessoal, mas o seu estatuto de cidadãos privados não se alterará". Isso significa que não haverá nenhuma mudança no status de Harry e Meghan como membros não atuantes da família real, e eles continuarão como cidadãos privados enquanto estiverem morando no Reino Unido, afirmaram as duas fontes ao New York Times. Um ex-assessor da família real afirmou à Reuters que a notícia seria especialmente difícil para William e Kate, diante das críticas feitas anteriormente por Harry e Meghan à monarquia e a integrantes da família. A volta também reacende uma questão sensível: membros da realeza que desenvolvem carreiras privadas são frequentemente acusados de usar a proximidade com a instituição em benefício próprio. Como será a segurança? A segurança foi durante anos um dos principais argumentos apresentados por Harry para justificar sua permanência nos Estados Unidos. O príncipe afirmou que não se sentia seguro para levar a mulher e os filhos ao Reino Unido depois que o governo britânico decidiu não garantir proteção policial permanente, alegando que ele já não desempenhava funções oficiais na família real. A decisão de voltar agora, portanto, surpreende antigos observadores da monarquia. A ex-correspondente da BBC Jennie Bond classificou como extraordinário o fato de Harry se sentir atualmente seguro para levar a família ao país, quando, até recentemente, dizia não enxergar uma maneira de fazê-lo. O primeiro-ministro Andy Burnham afirmou que a segurança dos Sussex é uma questão privada e desejou sucesso à família na mudança.