O príncipe Harry e sua mulher, Meghan, planejam voltar a morar no Reino Unido neste mês, seis anos depois de abandonarem suas funções na família real e se mudarem para os Estados Unidos, de onde criticaram repetidamente a realeza e fizeram duras críticas à imprensa britânica. Uma pessoa próxima ao casal afirmou que eles deixarão a Califórnia para passar um período prolongado em algum lugar nos arredores de Londres com os filhos, o príncipe Archie, de 7 anos, e a princesa Lilibet, de 5, que estudarão no Reino Unido. A notícia surpreendente marca mais uma reviravolta na trajetória do casal, que fez duras críticas a diversas instituições britânicas depois de deixar o país em 2020. Harry acusou a família real de negligência, a imprensa sensacionalista de arruinar sua vida e o governo de não oferecer segurança suficiente para que ele pudesse voltar a morar no país. O rei Charles, que, segundo a imprensa, recebeu com satisfação a perspectiva de ter o filho mais novo e sua família por perto, só soube da mudança no domingo. Harry e Meghan não viverão em uma residência real e continuarão sem exercer funções oficiais na monarquia, conforme o acordo firmado com a falecida rainha Elizabeth. O porta-voz de Harry e o Palácio de Buckingham não quiseram comentar. Harry se casou com Meghan Markle no Castelo de Windsor em 2018, e havia a expectativa de que a união com a ex-atriz ajudasse a renovar a histórica instituição para uma nova geração. Mas não demorou para que começassem a surgir fissuras na relação do casal com os demais integrantes da família real. Dois anos depois, em março de 2020, eles anunciaram que deixariam suas funções oficiais e se mudariam para os EUA, afirmando que queriam escapar do escrutínio “tóxico” da imprensa que enfrentavam no Reino Unido. Eles se estabeleceram no rico enclave litorâneo de Montecito, perto de Santa Barbara, na Califórnia. Segundo a imprensa, a casa de 16 quartos comprada pelo casal em 2020 custou US$ 14,7 milhões. Eles manterão o imóvel. Nos anos seguintes, Harry, hoje com 41 anos, e Meghan, de 45, criticaram repetidamente a família real e a monarquia em entrevistas à televisão, em uma série documental da Netflix e, sobretudo, no livro de memórias de Harry, “Spare”. Durante uma entrevista a Oprah Winfrey em 2021, Meghan, cuja mãe é negra, afirmou que um integrante não identificado da família havia perguntado quão escura poderia ser a pele do filho Archie. O príncipe William, irmão mais velho de Harry e herdeiro do trono, reagiu negando que a família real britânica fosse racista. Harry também fez comentários particularmente duros sobre o pai, Charles, e sobre William, levando a uma ruptura completa nas relações entre eles. Mais tarde, ele criticou o governo britânico depois que suas condições de segurança foram alteradas e afirmou que a falta de proteção policial automática o impedia de levar os filhos ao Reino Unido. O príncipe Harry, do Reino Unido, e sua mulher, Meghan, duquesa de Sussex, deixam a Catedral de São Paulo após o Serviço Nacional de Ação de Graças, realizado como parte das celebrações do Jubileu de Platina da rainha Elizabeth, em Londres, Reino Unido, em 3 de junho de 2022 — Foto: REUTERS/Dylan Martinez/Foto de arquivo Relações familiares continuam estremecidas As relações com o rei, que passa por tratamento contra um câncer não especificado, porém, pareceram começar a melhorar em setembro, quando pai e filho se encontraram brevemente pela primeira vez em 20 meses. No mês passado, Harry, Meghan e os filhos visitaram o Reino Unido, e Charles viu os netos pela primeira vez desde 2022. Embora a relação entre Harry e o rei possa ter melhorado, o príncipe ainda praticamente não fala com o irmão. Harry sempre afirmou que queria que os filhos passassem mais tempo no Reino Unido, mas um ex-assessor de alto escalão da família real disse que o retorno representará desafios para todos os envolvidos. Segundo ele, integrantes da realeza que tentam construir carreiras privadas frequentemente são acusados por críticos de explorar sua posição. O ex-assessor afirmou que a notícia será particularmente difícil para William e sua mulher, Kate, depois de Harry e Meghan terem “atacado duramente a instituição, os integrantes da família e o país em troca de dinheiro”. Questionado sobre se os contribuintes financiariam a segurança do casal, o primeiro-ministro Andy Burnham afirmou que se tratava de uma questão privada de Harry e Meghan e desejou-lhes boa sorte. William, príncipe de Gales, Catherine, princesa de Gales, o príncipe Harry e Meghan, duquesa de Sussex, caminham nos arredores do Castelo de Windsor após a morte da rainha Elizabeth, em Windsor, Reino Unido, em 10 de setembro de 2022 — Foto: REUTERS/Peter Nicholls/Foto de arquivo Comentarista diz que casal se preparará para imprensa Harry e Meghan lançaram diversos projetos de mídia a partir de sua casa na Califórnia, fechando contratos de milhões de dólares com o Spotify para uma série de podcasts e com a Netflix para produções que incluíram um programa de estilo de vida apresentado por Meghan. Os projetos tiveram resultados variados. O livro de revelações de Harry foi um best-seller, mas o acordo para podcasts chegou ao fim e o programa de Meghan na Netflix não foi renovado para uma terceira temporada. Nos últimos meses, Meghan, que lançou uma marca de estilo de vida, passou a publicar um número cada vez maior de fotos em sua conta no Instagram mostrando Harry, os filhos e a vida da família nos Estados Unidos. As crianças aparecem frequentemente de costas, para que seus rostos não sejam mostrados. “Eles não alcançaram o status de superestrelas que queriam”, afirmou Dominic Patten, editor-executivo da publicação de Hollywood Deadline.com. Ele acrescentou, porém, que o casal conseguiu manter o interesse do público por bastante tempo, algo nada fácil em uma cidade repleta de grandes celebridades. A comentarista da família real Afua Hagan afirmou que o interesse deve aumentar com a volta do casal ao Reino Unido, com os jornais buscando descobrir onde eles vão morar e onde os filhos estudarão. Segundo ela, embora Harry e Meghan estejam essencialmente voltando para a “cova dos leões”, desta vez estão mais preparados: “Eles não estão levando uma faca para um tiroteio. Sabem o que precisam fazer, sabem o que vão enfrentar e vão se preparar melhor.” Uma jornalista de televisão noticia, do lado de fora do Palácio de Buckingham, que o príncipe Harry e sua mulher, Meghan, planejam voltar a morar no Reino Unido neste mês, em Londres, em 20 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Corey Rudy