CEO da companhia afirma que a inteligência artificial chegou a um 'ponto de inflexão' e que, 'agora, capacidade computacional é receita' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede da Nvidia em Santa Clara, na Califórnia — Foto: David Paul Morris/Bloomberg O lucro da Nvidia no segundo trimestre deste ano dobrou para US$ 59,68 bilhões, avanço de 126% na comparação com igual período de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela companhia. A receita mais que dobrou, subindo 106%, a US$ 96,2 bilhões. A estimativa da gigante americana de semicondutores para o trimestre corrente é subir a US$ 108 bilhões, aproximadamente 2% acima ou abaixo das previsões de analistas, que tiveram uma média de US$ 105,2 bilhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Jensen Huang, fundador e CEO da companhia, afirmou que a inteligência artificial "chegou ao seu ponto de inflexão. Está realizando trabalho útil. Seus tokens são produtivos e rentáveis. Agora, capacidade computacional é receita". De outro lado, porém, o mercado financeiro aguardava com grande expectativa pelo balanço da Nvidia. Empresa mais valiosa do mundo, ela é a principal fornecedora de aceleradores de IA, um componente fundamental para o treinamento e a operação de modelos de inteligência artificial. “A Nvidia é o melhor termômetro dos gastos com IA”, afirmou Rob Conzo, CEO da Wealth Alliance, que possui ações da Nvidia em várias carteiras. “Isso ajudará a determinar se as hiperescaladoras ainda aceleram os investimentos do ponto de vista de infraestrutura ou se estão adotando maior disciplina.” Preocupações perdem força A companhia apresentou uma perspectiva otimista de vendas para 2028, amenizando as preocupações de que a onda de gastos com IA esteja perdendo força. — Esperamos aumentar nossa receita em aproximadamente 70% no ano fiscal de 2028 — afirmou a diretora financeira Colette Kress durante uma teleconferência realizada após a divulgação dos resultados. Os analistas projetavam uma alta de cerca de 45% para aquele ano, segundo dados compilados pela Bloomberg. Além disso, a Nvidia cresceria ainda mais rapidamente se tivesse acesso a uma oferta maior de componentes, afirmou a executiva: — De forma incrível, estamos vendo a demanda acelerar mesmo na nossa escala — disse. — As revisões dos clientes apontam para a duplicação do nosso crescimento no próximo ano. 'A pleno vapor' Huang assegurou aos investidores que a expansão da infraestrutura de IA está “a todo vapor”. A perspectiva otimista oferece algum alívio aos investidores preocupados com a possibilidade de uma bolha na economia da inteligência artificial. As ações da empresa subiram mais de 4% nas negociações depois do fechamento do mercado, após as declarações de Kress. No relatório de resultados do segundo trimestre, Jensen Huang afirmou que a demanda continua acelerando. Ele também destacou o lançamento da mais recente linha de chips da empresa, a Vera Rubin. — A expansão da infraestrutura de IA está a todo vapor — afirmou. — A Vera Rubin, agora em plena produção, foi construída para impulsionar exatamente este momento. Apple marca evento para dia 9 de setembro. Veja o que esperar Após anos de crescimento acelerado, alguns investidores passaram a se preocupar com uma possível bolha. Os inúmeros acordos de investimento da Nvidia com empresas da economia de IA também despertaram receios de que negócios de financiamento circular possam deixar o setor em uma situação mais vulnerável. No segundo trimestre, a crucial divisão de data centers da Nvidia registrou receita de US$ 89 bilhões, ante uma estimativa média de US$ 85,8 bilhões. Um grupo conhecido como hyperscalers, que inclui a Amazon e Google, da Alphabet., respondeu por grande parte dessas vendas. Mais clientes A Nvidia tem buscado ampliar sua base de clientes, tentando demonstrar que é menos dependente de um pequeno grupo de gigantes da tecnologia para a maior parte de suas vendas. Enquanto isso, os investidores estão cada vez mais difíceis de impressionar. A Nvidia superou as estimativas de vendas de Wall Street em 16 trimestres consecutivos. Mas isso nem sempre ajudou suas ações, já que os acionistas passaram a considerar seu crescimento acelerado e desempenho acima das expectativas como algo praticamente garantido. As ações caíram no dia seguinte à divulgação de cinco dos últimos seis resultados trimestrais da companhia. As únicas empresas do setor de semicondutores que rivalizam com o avanço das receitas da Nvidia são as fabricantes de chips de memória: Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology. Treinar e operar softwares de IA exige enormes quantidades de memória computacional, o que impulsionou o crescimento dessas empresas, mas também exerceu uma forte pressão sobre suas fábricas. Embora estejam ampliando a capacidade de produção, as companhias não esperam alcançar o nível da demanda durante anos. A escassez provocou uma disparada nos preços dos chips de memória. O aperto na oferta de memória também afeta a Nvidia, porque a memória é integrada aos seus chips. A empresa informou aos clientes que está elevando os preços de seus produtos para compensar o aumento dos custos. Concorrência Ao mesmo tempo, uma multidão de potenciais concorrentes está de olho no lucrativo mercado da Nvidia. Além disso, os próprios clientes da empresa estão desenvolvendo cada vez mais chips internamente, o que pode reduzir sua dependência da Nvidia no longo prazo. Nesta semana, a OpenAI, criadora do ChatGPT, afirmou que seu novo processador Jalapeno apresentou desempenho superior à atual linha de produtos da Nvidia durante testes. A Nvidia passou grande parte do último ano fechando acordos de investimento com grandes empresas de IA, incluindo tanto desenvolvedores de software quanto companhias responsáveis pela infraestrutura que sustenta essa tecnologia. Esses acordos — e o apoio financeiro prometido — colocaram, ao menos em tese, a Nvidia diante de compromissos que envolvem dezenas de bilhões de dólares. A empresa afirma que esses acordos acelerarão a adoção da IA, o que, por sua vez, criará ainda mais demanda por seus produtos. Críticos, porém, manifestaram preocupação de que o financiamento circular possa gerar uma demanda artificial. A companhia também continua lutando por um acesso maior ao maior mercado de semicondutores do mundo: a China. Washington concedeu à Nvidia uma autorização limitada para vender alguns de seus chips de IA no país, mas Pequim tem retardado o processo ao manter um controle rigoroso sobre as compras. Para a empresa — e seus investidores —, conquistar uma posição relevante na China é visto tanto como um caminho para o crescimento quanto como uma forma de evitar que os fabricantes chineses de chips se tornem excessivamente poderosos.