Eu lembro bem da primeira vez que vi "The Rocky Horror Picture Show". Era um adolescente gay, que começava a entender a própria sexualidade e que resolveu buscar refúgio nos filmes. Assistia a todo tipo de obra queer que encontrava na internet, sozinho no quarto, com o notebook sobre o colo.

Até que me deparei com a imagem de Tim Curry, morto nesta quarta-feira (26) aos 80 anos, com suas pernas esticadas sobre lábios vermelhos gigantes, diante de um fundo preto. Ele me olhava lascivamente, com sombra escura ao redor dos olhos.

Cartaz do filme 'The Rocky Horror Picture Show', dirigido por Jim Sharman em 1975 - Divulgação

Eram olhos que pareciam provocar o espectador, querer tirar uma confissão dele. Mais tarde eu entenderia que era justamente esse o objetivo de seu personagem, Frank-N-Furter, "uma doce travesti vinda de Transexual, Transilvânia", no musical cult de 1975.

Na era pré-streaming, o jeito foi baixar o longa de um site qualquer. Ir a uma loja para alugar ou comprar o DVD com capa de homem vestido de corselet de couro e meia-arrastão? Nem pensar.