Estudo do FGV Ibre para a Associação Brasileira de Embalagem considera o endividamento das famílias, a inadimplência e a perspectiva de um ajuste fiscal em 2027 como fatores de pressão sobre a atividade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A produção de embalagens cresceu 2,4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, descontados os efeitos sazonais, segundo estudo do FGV Ibre para a Associação Brasileira de Embalagem (Abre). O resultado ficou acima do desempenho da indústria de transformação, que recuou 0,1% no período. Apesar da recuperação, no entanto, a expansão não deve se sustentar no restante do ano. A projeção do estudo é de alta de apenas 0,2% para 2026, com intervalo entre queda de 0,2% e crescimento de 0,6%. A retomada entre abril e junho foi disseminada entre os principais segmentos da cadeia. A produção de embalagens de madeira avançou 11,4%, enquanto as de metal e vidro cresceram 2,2% cada. Na sequência, papel e papelão ondulado tiveram alta de 2,1%. Já o segmento de plástico, que concentra a maior parcela dos trabalhadores do setor, avançou 1,6% no trimestre. O desempenho da produção contrasta, contudo, com a evolução do emprego formal. Mesmo diante da perspectiva de crescimento moderado da atividade em 2026, a cadeia de embalagens empregava 286,5 mil trabalhadores em junho, alta de 3,2% no acumulado do ano. No mesmo período, o emprego formal na indústria de transformação cresceu 0,5%. A maior parte dessa mão de obra está concentrada no segmento de plástico, responsável por 56% dos empregos formais da cadeia. Em seguida aparecem papelão ondulado, com 14%, e papel, com 10%. No comércio exterior, por sua vez, o setor mantém uma posição praticamente equilibrada. De janeiro a julho, as exportações de embalagens somaram US$ 363,9 milhões, alta de 11,8% em relação ao mesmo período de 2025. Os segmentos de plástico e metal responderam pelas maiores parcelas das vendas externas, com participações de 35,8% e 34,4%, respectivamente. As importações, embora tenham crescido em ritmo mais lento, também avançaram no período. Foram US$ 363,3 milhões, alta de 2,2% sobre os primeiros sete meses do ano passado. As embalagens de metal representaram 33,2% do total importado, enquanto as de plástico responderam por 30,4%. Com isso, o saldo comercial da cadeia ficou praticamente zerado. A recuperação observada no segundo trimestre ocorre em um ambiente de expansão do consumo das famílias, que deve crescer 2% em 2026, segundo a projeção do estudo, acima da alta de 1,3% registrada em 2025. Esse movimento tem se refletido em setores que são importantes demandantes de embalagens. No primeiro semestre, a produção de bebidas cresceu 3,9%, enquanto a de sabões e detergentes avançou 2,5%. Além disso, o comércio eletrônico continua ampliando sua participação no varejo. No segundo trimestre, as vendas realizadas por esse canal corresponderam a 20,2% do total, segundo o levantamento. Apesar desses fatores de sustentação, o ambiente macroeconômico deve limitar uma expansão mais forte da indústria de embalagens no segundo semestre. O estudo do FGV Ibre projeta crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro em 2026, ante 2,3% em 2025, enquanto a inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano em 5%, acima da meta. Nesse cenário, a projeção é de que a Selic permaneça elevada, em 13,75% ao fim do ano. O estudo também considera o elevado endividamento das famílias, a inadimplência e a perspectiva de um ajuste fiscal em 2027 como fatores de pressão sobre a atividade. Assim, embora a cadeia tenha mostrado recuperação no segundo trimestre, a expectativa para o ano continua sendo de crescimento próximo da estabilidade. — Foto: stux/Pixabay
Setor de embalagens reage no 2º trimestre, mas deve crescer só 0,2% em 2026
Estudo do FGV Ibre para a Associação Brasileira de Embalagem considera o endividamento das famílias, a inadimplência e a perspectiva de um ajuste fiscal em 2027 como fatores de pressão sobre a atividade







