País tem mais de 11 mil empresas no setor. No segmento mais sofisticado, Bacio di Latte e Gelato Borelli tiveram maior expansão recente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com fim das atividades da Häagen-Dazs, marcas de sorvete premium, como Bacio di Late e Gelato Borelli, dominam no mercado brasileiro — Foto: Montagem com fotos de divulgação A empresa americana General Mills, dona da Häagen-Dazs, informou nesta semana que a marca de sorvetes premium não será mais distribuída no Brasil. A notícia pegou de surpresa os fãs da marca, apesar de a General Mills ter anunciado em março deste ano que faria uma reformulação global de seu portfólio. A decisão ocorre num momento de forte expansão do mercado de sorvetes premium do Brasil que, hoje, já tem várias marcas que disputavam espaço com a Häagen-Dazs. O Brasil soma mais de 11 mil empresas no setor de sorvetes e gelatos que, juntas, superam R$ 14 bilhões em faturamento por ano, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (Abis). Não existe um ranking público e auditado de vendas por marca no Brasil, somando supermercados, lojas, delivery e franquias. Porém, os dados públicos apontam Bacio di Latte e Gelato Borelli como os principais destaques de expansão recente. Segundo levantamento realizado pela Gouvêa Foodservice, a Bacio di Latte teve um crescimento de aproximadamente 30% ao ano desde 2023, somando mais de 240 lojas e com faturamento que pode chegar a R$ 1,5 bilhão em 2026. Já a Gelato Borelli possui mais de 260 unidades abertas e, em 2025 teve faturamento divulgado de R$ 500 milhões. No setor de picolés e potes premium, outras fortes concorrentes são as marcas: Magnum, Ben & Jerry’s e La Basque, que é tradicional do segmento superpremium e foi adquirida em 2025 com planos de expansão. Ainda de acordo com a consultoria, em 2025 o gasto com sorvetes cresceu 14% e o tíquete médio subiu 18%, indicando que o crescimento veio principalmente de produtos mais caros, premiumização e experiências de consumo. As vendas no mercado de sorvetes sobem 4% ao ano no mundo, enquanto as de sorvetes premium avançam de 8% a 10%, segundo a Nielsen. E o Brasil está crescendo acima dessa média, avalia Fernando Cardoso, sócio-diretor da Gouvêa Foodservice. A perspectiva é de um crescimento ainda mais acelerado no setor ao longo dos próximos dois anos. A Häagen-Dazs, continua Cardoso, é uma marca forte e respeitada no mercado brasileiro, mas que, neste momento, enfrenta desafios. Por atuar no país com produtos importados, está sujeita aos efeitos do cenário geopolítico global em meio a tarifas comerciais, custo cambial e desafios em logística. A americana General Mills, dona da marca, afirmou que a decisão de encerrar as operações no Brasil está ligada à reformulação de seu portfólio no país. Esse movimento teve início em março, quando foi anunciada a venda das marcas Yoki e Kitano para a 3corações por R$ 800 milhões. “A marca Häagen-Dazs não será mais distribuída no Brasil, devido a um plano de reformulação de portfólio da General Mills, anunciado em março de 2026”, disse a General Mills em nota, sem fornecer outros detalhes ou justificativas. *Estagiária, sob supervisão de Luciana Rodrigues