O Brasil submeteu nesta terça-feira (25) às Nações Unidas, pela primeira vez, sua meta nacional para conter a degradação de terras. O governo federal assumiu o compromisso de restaurar e evitar a deterioração de 3,6 milhões de km² até 2030 —equivalente a 43,1% do território nacional.

A apresentação do documento aconteceu durante a 17ª cúpula da ONU para o combate à desertificação e aos impactos da seca, conhecida pela sigla COP17. Iniciada no último dia 17, ela deve durar até a próxima sexta (28) em Ulan Bator, capital da Mongólia. Com representantes de mais de 190 países, a reunião ocorre a cada dois anos desde 1997.

O Brasil devia o compromisso desde 2018, após a adoção, na COP13, de uma estratégia para incentivar os signatários da convenção contra a desertificação a elaborar planos nacionais voluntários sobre o tema.

Regiões brasileiras de clima semiárido aumentaram, em média, cerca de 75 mil km² por década desde 1960, de acordo com estudo de 2023 do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Esse avanço levou à intensificação dessas condições na caatinga, onde foi identificada a primeira área de clima árido no país: no norte da Bahia, a quantidade de água que evapora da superfície é maior do que a reposta pelas chuvas, causando um déficit hídrico. Também houve aumento das condições de semiaridez sobre áreas do cerrado.