Campanha enfrenta dificuldades para consolidar apoios na Bahia, Maranhão e Pernambuco 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar em agenda em Maceió — Foto: Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro As articulações para a primeira viagem de Flávio Bolsonaro (PL) ao Nordeste desde o início oficial da campanha preocuparam integrantes do QG da candidatura. O motivo é a dificuldade de transformar alianças estaduais em palanques efetivos para a disputa presidencial. A passagem por Alagoas, escolhida como ponto de partida justamente por ser a terra natal do candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), e pelo desempenho de Jair Bolsonaro na capital em 2022, terminou sem a presença de um dos principais nomes da política local, o candidato ao governo João Henrique Caldas (PSDB) nas agendas do presidenciável. O candidato ao Senado apoiado por Flávio, Arthur Lira (PP), apareceu somente em um evento na noite de terça-feira na Assembléia de Deus de Maceió, mas ambos, embora presentes no palco no mesmo momento, não ficaram lado a lado no evento. A preocupação no entorno do presidenciável é que o episódio acabe se repetindo em outros pontos da região. Na Bahia, por exemplo, ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo e uma das principais lideranças da oposição no estado, optou por apoiar Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência no primeiro turno e evita associar sua imagem à campanha de Flávio. O acordo firmado no estado prevê a possibilidade de uma aproximação com o candidato do PL em um eventual segundo turno, mas não há, no primeiro turno, um palanque presidencial compartilhado. No Ceará, a situação do candidato também apresenta dificuldades. O PL fechou aliança com Ciro Gomes (PSDB) para a disputa pelo governo estadual, mas o ex-governador já deu indicações de que não pretende se associar diretamente ao candidato do PL ao Planalto. A composição, nessa esteira, pode garantir ao PL espaço na chapa estadual sem necessariamente resultar em um palanque do ex-governador para Flávio. O Maranhão é outro ponto de preocupação. O estado segue sem um palanque consolidado para a candidatura presidencial de Flávio, em um cenário no qual Lula mantém ampla vantagem. A ausência de uma liderança estadual com força suficiente para puxar votos para o candidato do PL aumenta a dificuldade de uma campanha que já parte de uma posição desfavorável na região. Em Pernambuco, com Raquel Lyra (PSD) sendo o principal nome apoiado por forças de direita no estado, a campanha também enfrenta dificuldades para construir uma estrutura local capaz de impulsionar Flávio. O candidato não tem um arco consolidado, enquanto Lula mantém vantagem expressiva nas pesquisas. A fotografia eleitoral de pesquisas recentes também ajuda a dimensionar o tamanho do problema para o filho 01 do ex-presidente no Nordeste. Na Quaest divulgada neste mês no Rio Grande do Norte, Lula aparece com 56% das intenções de voto no primeiro turno, contra 19% de Flávio. Em Pernambuco, levantamento divulgado nesta terça-feira mostra o petista com 54%, contra 19% do candidato do PL. Em Alagoas, onde Flávio decidiu iniciar sua incursão pelo Nordeste, o cenário é menos desfavorável, mas ainda assim apresenta vantagem para Lula. O petista aparece à frente no estado, com 44% das intenções de voto no primeiro turno, frente a 29% de Flávio. A Paraíba aparece como uma situação um pouco diferente. O PL tem no estado o senador Efraim Filho como candidato ao governo e, por isso, a campanha de Flávio deve dar maior atenção à região. Ainda assim, aliados avaliam que não seria possível depender da Paraíba para compensar a desvantagem acumulada no restante do Nordeste. A agenda em Alagoas começou pela manhã, com a chegada de Flávio ao Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, onde foi recebido por apoiadores. Em seguida, participou de uma carreata de aproximadamente oito quilômetros. À tarde, reuniu-se com empresários e representantes do setor produtivo. Embora Lula tenha vencido Bolsonaro no estado em 2022, Maceió foi a única capital nordestina em que o ex-presidente saiu vencedor, com 57% dos votos válidos. Além disso, Gaspar é alagoano e foi escolhido para a chapa presidencial com a expectativa de ajudar na interlocução de Flávio com o eleitorado nordestino.