JHC e Arthur Lira ficam fora de compromissos do presidenciável; declaração de que tucano estará em sua campanha causa incômodo no entorno do candidato ao governo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar em agenda em Maceió — Foto: Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro A primeira viagem de Flávio Bolsonaro (PL) ao Nordeste desde o início oficial da campanha foi planejada para prestigiar o estado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), mas expôs dificuldades para reunir em torno do presidenciável os principais nomes da aliança local. JHC (PSDB), candidato ao governo apoiado pelo PL, e Arthur Lira (PP), que disputa o Senado, ficaram fora dos compromissos em Maceió nesta terça-feira. Ao ser questionado sobre as ausências, Flávio afirmou que o tucano estará em sua campanha — uma associação que o entorno de JHC vinha justamente tentando evitar. A declaração provocou incômodo na campanha do ex-prefeito de Maceió. JHC deixou o PL e migrou para o PSDB, partido que adotou neutralidade na eleição presidencial, e não estava sequer na capital alagoana durante a passagem de Flávio. Seu entorno tem buscado evitar uma vinculação direta com a disputa pelo Planalto para preservar espaço entre eleitores que não necessariamente votam no candidato do PL. O cuidado ganhou ainda mais peso depois da divulgação, nesta segunda-feira, de pesquisa Quaest que mostrou uma disputa apertada pelo governo de Alagoas: Renan Filho tem 42% das intenções de voto, contra 40% de JHC. Diante do empate técnico, aliados do tucano consideraram inconveniente que Flávio o apresentasse como parte de seu palanque presidencial justamente durante sua passagem pelo estado. O presidenciável fez, porém, o movimento contrário. Ao ser perguntado sobre a ausência de JHC, minimizou a distância, classificou a candidatura do tucano como um palanque importante e afirmou que ele estará ao seu lado durante a campanha. — O nosso candidato a governador é o JHC. É um palanque importante. O JHC vai estar conosco na campanha. Fizemos essa composição por intermédio de Alfredo Gaspar. O mais importante é que tenho Gaspar e Deus, que está com a gente — afirmou. A situação expõe interesses diferentes dentro de uma mesma aliança estadual. Para Flávio, associar JHC à candidatura presidencial ajuda a demonstrar capilaridade numa região em que enfrenta sua maior desvantagem para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já o candidato ao governo tenta manter maior distância da polarização nacional enquanto trava uma disputa apertada pelo comando do estado. Lira também não participou dos compromissos desta terça-feira. Ex-presidente da Câmara e uma das principais lideranças políticas de Alagoas, o deputado já havia sido citado por Flávio entre os nomes dos quais esperava apoio no estado, mas não há previsão de que acompanhe o presidenciável durante os dois dias de viagem. Nesta quarta-feira, a distância ficará ainda mais evidente. Lira tem uma agenda eleitoral própria marcada para as 14h em Feliz Deserto enquanto Flávio ainda estará em Alagoas, cumprindo compromissos em Arapiraca. A falta de um encontro entre os dois já havia chamado atenção antes mesmo da viagem. Neste mês, Lira passou pela sede da campanha presidencial, mas deixou o local sem conversar ou gravar com Flávio. Segundo interlocutores, o deputado havia dado carona a um vereador de Maceió que faria gravações no QG e aproveitou a passagem para tratar de assuntos relacionados a Alagoas e procurar Gaspar, que não estava no local. Flávio estava no andar de cima, em uma sequência de gravações, e os dois não chegaram a se encontrar. As ausências de JHC e Lira contrastaram com o esforço para prestigiar Gaspar na primeira incursão de Flávio pelo Nordeste. Alagoano, o deputado foi escolhido para compor a chapa presidencial e acompanhou o senador ao longo da programação desta terça-feira. A escolha de Alagoas para a largada regional também ocorre diante de uma dificuldade eleitoral concreta. No Nordeste, Lula tem 53% das intenções de voto no primeiro turno, contra 25% de Flávio, segundo o Datafolha. A diferença de 28 pontos é a maior entre os dois nos recortes regionais. Acenos ao eleitor de Lula Diante desse cenário, Flávio aproveitou a estreia para modular o discurso contra o presidente e tentar dialogar com quem já votou ou acreditou no petista. O senador chegou a reconhecer que Lula “fez algo pelo Nordeste” no passado, antes de argumentar que esse legado teria se esgotado. — Eu entendo as pessoas que até ontem acreditavam no Lula, uma pessoa que lá no passado fez algo pelo Nordeste. Agora, o legado dele é a desilusão — afirmou. Flávio também prometeu manter o Bolsa Família caso seja eleito, incorporando a defesa de uma das principais marcas dos governos petistas. Ao mesmo tempo, argumentou que os programas sociais deveriam representar apenas uma primeira etapa da atuação do poder público na região. — Vamos garantir o Bolsa Família e melhorar a vida deles. Temos que olhar para o Nordeste e pensar como a solução para o Brasil — disse. Em seguida, acrescentou: — O Nordeste merece mais do que o primeiro estágio que o governo faz, que são os programas sociais. O candidato também apresentou propostas específicas para a região. Defendeu a construção de um trem ligando as capitais nordestinas, que, segundo ele, poderia estimular o turismo e facilitar o deslocamento, além de investimentos para ampliar o acesso à água, a produção agrícola e a geração de energia. Ao mesmo tempo em que reconheceu realizações passadas de Lula, Flávio buscou reivindicar para o pai políticas populares na região. Citou a transposição do Rio São Francisco e o pagamento de benefícios de R$ 600 durante o governo de Jair Bolsonaro. — Foi o presidente Bolsonaro que trouxe efetivamente água para o Nordeste com a transposição do São Francisco; foi o presidente Bolsonaro que botou o Bolsa Família com, no mínimo, R$ 600. Vamos melhorar muito mais a vida das pessoas — afirmou. Flávio desembarcou pela manhã no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, onde foi recebido por apoiadores e falou com jornalistas. Em seguida, participou de uma carreata de aproximadamente oito quilômetros por Maceió. À tarde, reuniu-se com empresários e representantes do setor produtivo na Associação Comercial. O primeiro dia termina com uma agenda voltada ao eleitorado evangélico. À noite, Flávio participa, ao lado de Gaspar, da convenção de ministros das Assembleias de Deus, que comemora os 111 anos da denominação em Alagoas, no templo-sede da igreja em Maceió. Nesta quarta-feira, o candidato segue para Arapiraca, no interior do estado, para a segunda etapa da viagem.