Conjunto de comunidades na Zona Norte do Rio é dominada pelo traficante Peixão (TCP) e tem a presença da polícia desde a última sexta-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Polícia ocupa Complexo de Israel — Foto: Fabiano Rocha Com o objetivo de conter as disputas entre facções rivais no território, a intolerância religiosa e a exploração comercial por traficantes, a Polícia Militar começou a ocupar o Complexo de Israel na última sexta-feira. O trabalho começou pelas comunidades Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica Pau. Na manhã de segunda-feira, chegou a Vigário Geral e Parada de Lucas. De acordo com a corporação, a ocupação será permanente, com policiamento 24h por dia, ações de inteligência e a apreensão de materiais ilícitos entre os alvos. Equipes subordinadas ao Primeiro Comando de Policiamento de Área e ao Comando de Operações Especiais da PM irão circular por pontos estratégicos das comunidades. As atenções também estarão voltadas para o entorno, como a Linha Amarela e Avenida Brasil, que terão reforço do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas com o objetivo de evitar ações de criminosos em retaliação às operações policiais. Nesta segunda-feira, quatro caminhões foram incendiados na Avenida Brasil por bandidos da Favela de Acari, que também é controlada pelo TCP. — Como funciona uma ocupação? Não temos uma base fixa nas comunidades. Temos policiais que estão lá fazendo o policiamento preventivo e ostensivo, junto ao setor de inteligência, que faz monitoramento sobre movimentação de criminosos. Quando há troca de turno, ela é feita no próprio local, em vez de ser no batalhão. Além do efetivo que está lá, fazemos ações com outras unidades, como varreduras com o Batalhão de Ações com Cães, como no dia de ontem. Hoje, estamos com o Bope fazendo buscas por criminosos em Parada de Lucas. Então, vamos atuando pontualmente com unidades especializadas buscando materiais ilícitos, checando denúncias que não podem ser verificadas sem que o território esteja ocupado — detalha o major Maicon Pereira, porta-voz da PM. Polícia Civil encontra casamata com seteira entre Parada de Lucas e Vigário Geral Cidade Alta, a mais desafiadora Na sexta-feira, quando carros-bomba foram usados pela primeira vez como tática de guerrilha no Rio, segundo a PM, a corporação apreendeu nove veículos roubados, cinco toneladas de artefatos explosivos; 11 toneladas de materiais usados em barricadas e carga de entorpecentes, maconha e cheirinho da loló. No fim de semana, a polícia cobriu 12 valas abertas nas entradas das comunidades e desmontou cinco barracas compostas de alvenaria e telhados de metal para venda de drogas. Na segunda, a PM começou a operar em Parada de Lucas e Vigário Geral. Ontem, quatro criminosos foram presos. Seis fuzis, granadas, radiocomunicadores, coletes à prova de balas e drogas foram apreendidos. — A Cidade Alta é a comunidade mais desafiadora, porque ela tem uma posição estratégica para criminosos. Como o nome diz, ela é alta, e o criminoso tem uma visão privilegiada das outras comunidades, o que facilita que eles atirem nos policiais que estão na parte baixa. Por isso, começamos a ocupação pela Cidade Alta. Senão, iríamos ficar tomando tiro quando estivéssemos entrando em Parada de Lucas e Vigário Geral, por exemplo — explica o Major. Os donos do crime: Peixão comanda o Complexo de Israel com perfil violento Denúncias de abuso No fim de semana, moradores denunciaram abusos por parte de policiais, como invasões de casas e abordagens truculentas. Questionado, o porta-voz descredibilizou tais reclamações, argumentando que essa seria uma tática dos criminosos. — Uma das principais estratégias dos bandidos para impedir ações policiais é estimular denúncias de abusos. Mas temos todo um trabalho da corregedoria e câmeras operacionais portáteis para monitorar a ação dos agentes. Então, isso acaba dando transparência à ação policial — defende o major. Mapa mostra as cinco comunidades do Complexo de Israel — Foto: Editoria de Arte Cinco dias de operações Desde sexta-feira a polícia ocupa as comunidades do Complexo de Israel — Cinco Bocas, Pica-pau, Cidade Alta, Parada de Lucas e Vigário Geral. A ação é resultado de investigações da 38ª DP (Brás de Pina). Na chegada das equipes às comunidades, nesta terça-feira, criminosos atearam fogo em barricadas, conforme mostrou o Bom Dia Rio, da TV Globo, que registrou ainda a imagem de um fosso num viaduto que dá acesso à Vigário Geral. Carros também foram usados para bloquear ruas. Seis pessoas foram presas, entre elas Luana Rosa de Araújo, a Madrinha da Cidade Alta. Ela é ligada a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do tráfico no Complexo de Israel e um dos bandidos mais procurados do Estado do Rio. Contra Luana havia quatro mandados de prisão em aberto — dois por homicídio e dois por associação ao tráfico. Outras duas pessoas foram conduzidas para a Cidade da Polícia. Durante a ação, os policiais encontraram uma casamata com uma seteira — buracos para apoiar armas longas e fazer disparos mais precisos — em frente a uma plataforma de embarque da TrensRJ, nas proximidades da passarela da Bulhões Marcial, entre Parada de Lucas e Vigário Geral A parede do local é feita com duas camadas de tijolos para aumentar a proteção dos traficantes. No chão, havia dezenas de cápsulas deflagradas.
Ocupação do Complexo de Israel: entenda como será o policiamento 24h no conjunto de favelas controlado por Peixão
Conjunto de comunidades na Zona Norte do Rio é dominada pelo traficante Peixão (TCP) e tem a presença da polícia desde a última sexta-feira








