Especialistas explicam os sinais de alerta e como a busca por uma dieta perfeita pode afetar a relação com a comida e a vida social 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Já ouviu falar em ortorexia? — Foto: Shutterstock Buscar uma alimentação equilibrada faz parte de uma rotina saudável. O problema começa quando a preocupação com a qualidade dos alimentos se transforma em uma necessidade constante de controlar o que entra no prato. Esse comportamento pode estar relacionado à ortorexia, um transtorno alimentar marcado pela fixação em comer apenas aquilo que a pessoa considera saudável. Embora o termo ainda não tenha diagnósticos oficiais, especialistas que trabalham com transtornos alimentares observam o aumento desse tipo de comportamento. A dificuldade está justamente em reconhecer o problema: como a alimentação saudável costuma ser associada ao bem-estar, atitudes excessivamente restritivas podem ser vistas como positivas. A pessoa com ortorexia pode passar a eliminar grupos inteiros de alimentos por considerá-los prejudiciais, mesmo sem uma recomendação médica ou evidência científica que justifique a restrição. Carboidratos, açúcar, glúten e alimentos considerados “ultraprocessados” podem entrar nessa lista. Quais são os sinais? Entre os comportamentos que merecem atenção estão a necessidade constante de controlar os ingredientes, a eliminação de diversos alimentos e o medo intenso de consumir algo considerado “ruim” ou “tóxico”. Outra atitude é quando a alimentação começa a interferir na vida social. A pessoa pode evitar restaurantes, festas e encontros por não saber como a comida será preparada ou por não conseguir seguir suas próprias regras fora de casa. As restrições podem afetar o organismo A retirada de diversos grupos alimentares pode dificultar o consumo adequado de nutrientes e calorias necessários para o funcionamento do corpo. Em alguns casos, a alimentação excessivamente limitada também pode provocar problemas digestivos, como constipação. As redes sociais podem influenciar Conteúdos sobre “alimentação limpa”, dietas restritivas e listas de alimentos considerados bons ou ruins podem reforçar a ideia de que existe uma maneira perfeita de comer. O excesso de informações — muitas vezes sem respaldo científico — pode aumentar o medo de determinados ingredientes e incentivar comportamentos cada vez mais rígidos. Por isso, seguir uma dieta aparentemente saudável não significa necessariamente ter uma relação saudável com a comida. O principal ponto de atenção é quando as regras passam a controlar a rotina, causar sofrimento ou dificultar a vida social. Se a preocupação com a alimentação estiver provocando ansiedade, culpa, isolamento ou restrições cada vez maiores, vale procurar ajuda profissional. Psicólogos, psiquiatras e nutricionistas especializados em transtornos alimentares podem avaliar a relação com a comida e indicar o acompanhamento adequado.