O Pix apareceu como justificativa oficial do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para aplicar tarifa de 25% sobre quase 4 mil produtos brasileiros, segundo a CNI, em vigor desde 22 de julho. O órgão classificou o sistema de pagamento instantâneo do Banco Central como prática comercial irrazoável, ao lado de críticas a decisões judiciais, corrupção e desmatamento.
Uma tarifa adicional de 12,5%, de outra investigação sobre trabalho forçado, foi aplicada em 24 de julho, o que elevou a taxação total para 37,5% sobre os produtos exportados pelo Brasil.
A menção ocorreu porque o Pix não cobra tarifa de transação para pessoas físicas e processa transferências em segundos. Antes do sistema, boa parte dos pagamentos digitais no país passava por bandeiras de cartão, inclusive americanas, que capturavam parte da receita de cada transação via taxa de processamento.
Com a adoção em massa do sistema do Banco Central, os cartões seguem relevantes e continuam crescendo, mas agora dividem espaço com um concorrente direto que já alcança mais de 170 milhões de pessoas no Brasil.
O argumento americano está na forma como o Pix foi projetado. O sistema roda sobre infraestrutura pública, operada pelo Banco Central, com adesão obrigatória para instituições financeiras de determinado porte, o que reduz o custo de transação a quase zero. O USTR trata essa característica como barreira comercial contra empresas dos Estados Unidos, enquanto o Banco Central e o mercado brasileiro defendem o sistema como política de inclusão financeira e redução de custo para o consumidor.






