Orientação na campanha é evitar nova rodada de explicações sobre filme, tratar avanço das investigações como assunto das autoridades e deslocar embate para suspeitas envolvendo filho de Lula 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro chega à Praia de Copacabana para primeiro ato da campanha presidencial de 2026 — Foto: Mauro Pimentel/AFP O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tenta se desvencilhar do desgaste envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que a Polícia Federal tenha acesso a uma investigação aberta pela Polícia Civil de São Paulo. Enquanto o inquérito que corre em São Paulo apura se recursos de um programa da prefeitura da capital abasteceram a produtora responsável pela biografia de Jair Bolsonaro, a PF analisa a destinação de emendas parlamentares e mira as verbas do fundo que captou verba para a produção. Essa segunda frente preocupa mais a campanha, pois existe a suspeita na investigação que recursos destinados ao fundo possam ter sido usados para bancar gastos no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos. Mensagens revelaram que Flávio pediu verbas para o filme ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que chegou a pagar R$ 61 milhões. Logo após o início da crise, em maio, o presidenciável prometeu apresentar uma prestação de contas, mas agora atribui à produtora a responsabilidade. A orientação do QG de campanha é tratar o caso como assunto da produtora e das autoridades responsáveis pelas investigações e reforçar, no campo político, a ofensiva sobre as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A estratégia ficou explícita na noite de segunda-feira, quando Flávio foi questionado sobre a prestação de contas do longa e afirmou que não cabe mais a ele dar explicações sobre os recursos usados na produção. Em maio, ele havia prometido apresentar as contas em 30 dias. Agora, Flávio sustenta que a produtora Go Up Entertainment já apresentou informações sobre os gastos no âmbito da investigação conduzida em São Paulo e que eventuais cobranças devem ser dirigidas à empresa. — Não houve recuo nenhum. Eu vi a prestação de contas. (...) Da minha parte eu digo: não sou eu que tenho que prestar conta, é o Lula — afirmou Flávio, antes de citar encontros do presidente com pessoas ligadas ao Banco Master. A avaliação é que continuar respondendo a cada novo desdobramento de “Dark Horse” prolonga a associação entre Flávio, Vorcaro e as dúvidas sobre o financiamento do longa num momento em que o candidato tenta concentrar a disputa em outros temas. A decisão de Dino autorizou a PF a acessar dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em uma operação que atingiu Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment. O compartilhamento foi pedido pela própria corporação. Essa investigação é distinta do inquérito relatado pelo ministro André Mendonça, que apura os repasses feitos por Vorcaro para “Dark Horse”. As duas frentes, no entanto, passaram a se aproximar em torno da produtora e podem fornecer elementos uma à outra. A autorização de Dino é vista por integrantes do governo como uma forma de dar novo impulso às apurações relacionadas ao filme. É justamente diante dessa perspectiva de novos desdobramentos que a campanha decidiu reforçar a tentativa de tirar o tema de sua agenda eleitoral. Integrantes do QG avaliam que Flávio já respondeu politicamente pelo episódio e que eventuais dúvidas sobre valores e documentos devem agora ser esclarecidas por quem recebeu e administrou os recursos. Lulinha como resposta Ao mesmo tempo em que tenta retirar “Dark Horse” do centro de sua campanha, o QG de Flávio pretende ampliar a exploração das investigações envolvendo Lulinha como uma das principais frentes de desgaste contra Lula, o que será usado no programa eleitoral na televisão. Uma das mensagens que serão usadas pela campanha é a que a empresária Roberta Luchsinger afirma que ela e Lulinha seriam “uma coisa só”, além de diálogos nos quais diz que o filho do presidente “só entra em campo quando precisa” e que precisava “se preservar”. As mensagens integram apurações que investigam suspeitas de tráfico de influência. Lulinha e Roberta negam irregularidades. A empresária manteve relações comerciais com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como um dos principais personagens do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo a investigação, ela recebeu R$ 1,5 milhão do empresário para tentar viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
Flávio tenta driblar desgaste de ‘Dark Horse’ após decisão de Dino, responsabiliza produtora por explicações e reforça investida em caso Lulinha
Orientação na campanha é evitar nova rodada de explicações sobre filme, tratar avanço das investigações como assunto das autoridades e deslocar embate para suspeitas envolvendo filho de Lula








