Polícia Federal pediu informações à agência sobre polêmico longa-metragem que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jair Bolsonaro é interpretado por Jim Caviezel em 'Dark Horse' — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil — Reprodução A um mês e meio das eleições presidenciais, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) aceitou na última sexta-feira (21) o registro de obra estrangeira de "Dark Horse", polêmico longa-metragem sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Este é o primeiro passo para o lançamento comercial do filme, que ainda precisa cumprir outras etapas burocráticas para ser exibido nos cinemas, como obter aval da Ancine para exploração comercial e ainda ganhar uma classificação indicativa do Ministério da Justiça. Na mira do Supremo Tribunal Federal (STF), “Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República após virem à tona mensagens do senador cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para o financiamento da produção. Uma das linhas de investigação da Polícia Federal é saber se os milhões de reais despejados por Vorcaro foram usados para bancar as despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante autoexílio nos Estados Unidos. A tramitação do registro da obra durou dois meses. Em 22 de junho, a Europa Filmes apresentou o pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) para “Dark Horse”, já esclarecendo, portanto, que não se trata de um filme nacional. A notícia veio à tona após uma proposta para lançar o filme no Brasil ter sido recusada pela Paris Filmes, uma das maiores distribuidoras nacionais, com um catálogo que inclui as franquias “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”. A Ancine é responsável pela regulação e fiscalização do mercado audiovisual brasileiro e, por isso mesmo, desempenha um papel-chave ao analisar o registro da produção, que precisa do aval da agência para ser exibida nos cinemas nacionais. O lançamento está previsto para depois das eleições, a partir de novembro. PF cobrou informações Conforme informou o blog, a Polícia Federal deu um prazo de 10 dias para a Agência Nacional do Cinema (Ancine) apresentar informações sobre "Dark Horse". No ofício assinado na última terça-feira (18), a Polícia Federal pediu informações sobre o registro de “Dark Horse”, além de “comunicação de produção, certificação ou qualquer outro procedimento administrativo relacionado à obra cinematográfica”. A PF também quer que a Ancine esclareça se o filme recebeu incentivos fiscais, recursos públicos federais ou “quaisquer benefícios vinculados às políticas públicas de financiamento do setor”. Segundo a equipe da coluna apurou, integrantes do núcleo duro da campanha de Flávio fizeram questão de assistir a “Dark Horse” antes da estreia nos cinemas – prevista para ainda este ano, após as eleições – para avaliar os riscos de judicialização e de eventuais novos desgastes, já que o filme virou foco de crise no clã Bolsonaro, respingando nas intenções de voto. Após conferir o filme, a avaliação do QG da campanha de Flávio é a de que “Dark Horse” está mais para um thriller policial sobre a facada em Jair Bolsonaro em 2018 do que para uma cinebiografia propriamente dita. O personagem de Flávio tem participação discreta na trama, o que na tese de seus assessores deveria esvaziar os argumentos da campanha lulista de que o filme pode ser usado para promover a sua candidatura. Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, o filme recria cenas como um debate presidencial, mas sem usar os nomes dos adversários que enfrentaram Bolsonaro naquele pleito. O autor do atentado em Juiz de Fora (MG) é retratado como um militante de esquerda, mas não se chama Adélio Bispo. Elenco estrangeiro O elenco de "Dark Horse" é predominante estrangeiro, capitaneado pelo ator Jim Caviezel, célebre por interpretar Jesus Cristo em “A paixão de Cristo” e estrelar “O conde de Monte Cristo”. Já Michelle Bolsonaro é vivida por Camille Guaty, que já fez participação no seriado "The Good Doctor: O bom doutor”. Os diálogos são em inglês, em uma estratégia para ampliar as chances comerciais do filme no exterior.