Embora o Brasil tenha um dos sistemas de Justiça mais acessíveis do mundo, desigualdades sociais e econômicas ainda impedem que os cidadãos tenham acesso efetivo ao Judiciário, disseram nesta segunda-feira (24) especialistas que participaram de um debate promovido pela Folha.
O evento faz parte do ciclo de seminários "O Judiciário em Debate: Integridade, Eficiência e Acesso à Justiça", organizado pelo jornal em parceria com a OAB-SP (seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil) e com o apoio da AASP - Associação dos Advogados, e concluído nesta segunda.
A advogada Priscila Pamela, presidente do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa), afirmou que o próprio sistema reproduz desigualdades que marcam a sociedade brasileira, como na composição da magistratura. Enquanto 56% dos brasileiros são negros, só 19% dos juízes são pretos e pardos, disse.
"Os alvos [do Judiciário] são pessoas marginalizadas, pobres, pretas, periféricas", afirmou. Como a gente avança quando as pessoas que julgam essas pessoas são pessoas brancas, da elite, que não convivem diariamente com esses problemas?"
Pamela mencionou estatísticas segundo as quais uma pessoa negra e pobre tem oito vezes mais chance de ser abordada pela polícia do que uma pessoa branca de classe média. "Que direito de defesa essas pessoas têm?"






