"Não é o mais rentável, mas é uma porta de entrada para usuários dentro do Mercado Pago", diz João Paulo Lima, CFO do Mercado Livre no Brasil, sobre o papel do cartão de crédito na estratégia da companhia.

O cartão responde por 52% da carteira de crédito do Mercado Pago, segundo o balanço do segundo trimestre de 2026 —US$ 6,2 bilhões (R$ 32 bilhões) líquidos de provisão, de um total de US$ 11,9 bilhões (R$ 61,2 bilhões). A linha exige provisão mais alta para perdas com inadimplência do que as demais, o que reduz sua rentabilidade direta, mas funciona como via de captação de novos usuários da paytech.

A empresa opera três linhas de crédito —consumidor, cartão e capital de giro para pequenas e médias empresas— e precifica o custo de captação de acordo com o risco de cada uma. "Onde o risco é maior, o funding é maior, o custo de funding é maior. A gente repassa isso para se proteger do risco atrelado a cada uma dessas categorias", diz Lima em entrevista à coluna.

O crédito para pequenas e médias empresas é destinado a capital de giro de vendedores que já operam na adquirência do Mercado Pago ou na própria plataforma do Mercado Livre. O crédito ao consumidor, segundo o executivo, atende usuários que compram através do Mercado Pago.