Há quase 30 anos o meu ofício é escrever, contar histórias de pessoas, registrar fatos e situações. Mas neste fim de semana eu não consegui traduzir em palavras tudo o que aconteceu no parque Ibirapuera, em São Paulo. Era para ser mais um festival de música como tantos outros que são realizados na frenética capital paulista, mas uma catarse musical tomou conta das 20 mil pessoas que foram ao C6 no Rock.

A proposta dos organizadores foi reunir bandas do rock nacional da década de 1980, época em que os LPs em vinil nos forçavam a ouvir todas as músicas do lado A e do lado B. Época em que a gente decidia o que queria ouvir, não os algoritmos, e até a programação das rádios era feita com com pedidos dos ouvintes por ligações. Quem telefona para alguém hoje em dia?

Coube à Plebe Rude abrir os trabalhos no sábado (23) e lembrar ao público ainda pequeno porque estávamos lá. Aos primeiros acordes de "Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)" uma espécie de portal se abriu para 1986.

Naquele ano, eu e minhas amigas nos reuníamos aos sábados à tarde para acompanhar os ensaios da banda dos meninos da escola. Foi com eles, os garotos da HF-15, que ouvi repetidas vezes e aprendi todas as músicas da Plebe e do Ira!.