Jonathan não queria deixar Israel. Quando sua mulher levantou a ideia pela primeira vez, foi ele quem resistiu. Mas, à medida que a guerra na faixa de Gaza se prolongava, e o estresse do conflito se somava às pressões econômicas e às tensões sociais sempre latentes no Estado judeu, ele percebeu que precisavam partir.

Então, certa noite, ao voltar para seu apartamento em Tel Aviv, encontrou o filho de um de seus vizinhos. Eles conversaram, e o menino, de cinco ou seis anos, disse que veria Jonathan naquela noite no abrigo do prédio, para onde os moradores iam se proteger dos mísseis lançados pelos inimigos de Israel.

"Esse foi um dos grandes pontos de ruptura para mim... [Pensei:] ele é o futuro do país, e isso é tudo o que conhece", recorda Jonathan. "Imagine: há alguns anos as pessoas vivem nesse estado de lutar ou fugir. E não há como escapar desse ciclo... Quando se somam todos os aspectos sociais, econômicos e políticos, a situação simplesmente se torna insustentável."

Assim, em 2024, o profissional do setor imobiliário na faixa dos 30 anos, que pediu para não ter o nome completo divulgado, desfez sua vida em Tel Aviv e se mudou com a família para os Estados Unidos, juntando-se a uma onda de 150 mil israelenses que deixaram o país nos últimos três anos.