Dos reforços, Colidio parece mais próximo de se adaptar, e Sosa ainda apresenta dificuldades. O drama só aumentará se Léo Jardim, fonte de segurança recente, virar motivo para dúvida 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Allan e Cuiabano disputam bola em Palmeiras x Vasco pelo Campeonato Brasileiro de 2026 — Foto: Cesar Greco / Palmeiras Quem assistisse ao primeiro tempo de Palmeiras x Vasco teria dificuldade de assimilar que estava diante do primeiro colocado enfrentando o 19º. No entanto, bastaram os primeiros dez minutos da segunda etapa para que algumas coisas ficassem mais claras, e algumas das razões que explicam os 29 pontos e 18 posições que separam as duas equipes aparecessem. De um lado, estava o clube com a segunda maior receita do país, um dos projetos de futebol mais caros e mais sólidos do Brasil. Do outro, um Vasco que luta contra emergências financeiras enquanto tenta fechar a transição para um novo dono de sua SAF. E a consequência mais imediata do abismo é a qualidade técnica individual, a capacidade de encontrar soluções. Já voltaremos ao tema. Mas a forma perigosa como as histórias dos dois clubes vêm se cruzando nos bastidores torna o debate natural. O Regulamento de Sustentabilidade Financeira, recentemente aprovado, trata sobre multipropriedade de clubes na Seção 9 de seu Capítulo 3, e estende a parentes as vedações. Como, oficialmente, o novo investidor é enteado da presidente do Palmeiras, e não o seu marido, caberá aos órgãos de controle decidir se há conflito. O que não parece justo é colocar em questão a legitimidade do resultado da partida. Soa até desrespeitoso com os profissionais que foram a campo e suas famílias. O tema central é que o futebol brasileiro luta contra um atraso na questão do fair play financeiro. Episódios recentes com Corinthians, Internacional e agora o Vasco mostram que custa muito barato se endividar. Sempre há uma recuperação judicial, um deságio proposto aos credores e um pedido de permissão para receber novos empréstimos e contratar mais jogadores, tudo dentro da lei — sem contar os Refis e loterias criadas para salvar tantos clubes. Tampouco ajudam gestos que soam como afronta, como a foto de Leila, seu enteado e um dirigente do Vasco à beira do gramado do Nubank Parque. Feito o parêntese, voltamos ao jogo. Não é que os 3 a 0, construídos em dez minutos de segundo tempo, tenham sido produto de uma grande guinada tática num jogo que o Vasco controlara muito bem na etapa inicial. A mudança de rumo é produto de um chute brilhante de Flaco López, uma jogada provavelmente inacessível a boa parte dos jogadores que o Vasco tinha em seu ataque. No primeiro tempo, quando o time defendeu bem as movimentações de Flaco para buscar bola no meio-campo e anulou as tentativas de construção dos donos da casa, os vascaínos tiveram ao menos duas ótimas escapadas de contra-ataque. Mas, sempre que se viam perto da área rival, faltava o refinamento, o acabamento. Porque o gramado é a imagem de um time do Vasco que luta contra as limitações do clube. Para piorar, o 2 a 0, surgido logo na sequência, vem num pênalti bem marcado, embora num lance quase acidental. São muitos golpes em muito pouco tempo. Uma vez em desvantagem, o time tende a se desmanchar. Se há algum alento a buscar num jogo que termina em goleada por 4 a 1, está no fato de que, com Pedro Emanuel, o Vasco tem tido mais períodos em que compete bem contra adversários de bom nível. Dos reforços que trouxe, Colidio parece mais próximo de se adaptar, enquanto Sosa ainda apresenta dificuldades. O drama só aumentará se Léo Jardim, fonte de segurança nas últimas temporadas, se transformar em outro motivo para dúvida. É fato que o Vasco ganhou mais estrutura, mais capacidade de se proteger com o novo treinador. Mas há questões cuja solução, por vezes, não está ao alcance do treinador. Restam 15 rodadas, e o Vasco disputou um jogo a menos do que três de seus concorrentes mais próximos. A salvação é possível, mas anuncia-se outra reta final com cara de luta pela sobrevivência. Fôlego O Brasileirão é uma prova de resistência, que inclui encerrar duelos tensos e exigentes como o Flamengo teve na Libertadores e, imediatamente, colher pontos em um jogo difícil. No sábado, os rubro-negros fizeram um bom primeiro tempo com bola, mas nunca tiveram o controle quando eram atacados. No segundo tempo, talvez pelo cansaço, um time mais espaçado permitiu um jogo muito aberto. Teve suas chances, mas também cedeu ao Cruzeiro. Filipismo O mais notável da estreia de Filipe Luis no Campeonato Francês foi ver seu Monaco, cheio de desfalques, tentar colocar em prática alguns pilares do jogo do ex-treinador do Flamengo: pressão ofensiva e busca por controle. O primeiro tempo da magra vitória sobre o Le Havre teve as duas coisas e um gol em bola parada. Mas seu time não tem a melhor qualidade técnica da liga e sofreu um pouco quando perdeu a posse de bola no segundo tempo. A nova Premier League Fazia tempo que a Premier League não começava com um favorito tão claro: o Arsenal, atual campeão. Seu rival de estreia, o Coventry, exigiu pouco, mas os rivais deixam dúvidas. O City virou sobre o Bournemouth, mas tenta lidar com a traumática saída de Guardiola e com uma enorme reformulação: Rodri e Bernardo Silva são as mais recentes perdas. Dos titulares de ontem, só Rúben Dias e Haaland estavam no título da Champions de 2023.
A dura realidade em dez minutos: uma vez em desvantagem, o Vasco tende a se desmanchar
Dos reforços, Colidio parece mais próximo de se adaptar, e Sosa ainda apresenta dificuldades. O drama só aumentará se Léo Jardim, fonte de segurança recente, virar motivo para dúvida






