Segue indefinido, porém, se Palácio do Planalto mandará ao Congresso a MP do tributo ou se vai deixar para depois das eleições; decisão depende de acordo ainda não fechado com setores envolvidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Lula no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O governo bateu o martelo e decidiu incluir nas projeções do projeto de Orçamento (PLOA) de 2027 a expectativa de receita com a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e com o Imposto Seletivo (IS). Os tributos foram criados na Reforma Tributária aprova pelo Congresso e substituem PIS, Cofins e a maior parte do IPI, ainda que a finalidade do IS vá além de replicar o IPI e vise desincentivar o consumo de bens e serviços que se considere que causam prejuízos para a sociedade. O governo estava na dúvida se já colocava as projeções no envio do PLOA 2027, cujo prazo limite de envio é 31 de agosto, ou se trabalhava com os tributos atuais. Setores do governo temem que o tema seja explorado pelos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral. Mas pesou mais a questão operacional e a visão de reforçar o caminho da reforma tributária, que algumas candidaturas, como a de Flávio Bolsonaro (PL) e de Ronaldo Caiado (PSD), estão atacando. Apesar disso, por enquanto, a decisão é que sejam apresentados os números esperados de arrecadação dos dois tributos sem abrir dados sobre as alíquotas consideradas nas projeções. Oficialmente, o governo tem que enviar até o dia 15 de setembro uma proposta de alíquota com seus parâmetros para análise e definição final do Tribunal de Contas da União (TCU). Uma ala do governo defende que não seja apresentado um número em si, mas apenas os parâmetros, deixando para o TCU fazer os cálculos e chegar nos números dentro do prazo que vai até o fim de outubro, após as eleições. No caso do Seletivo, a lógica é diferente. O tributo terá alíquotas diferentes conforme o produto e ainda precisa de noventena (carência de 90 dias) para entrar em vigor. A discussão no Executivo é se uma Medida Provisória será encaminhada com o orçamento ou poucos dias depois, para que o tributo entre em vigor no início de 2027. Diante do temor de uso político sobretudo em temas mais populares, como bebidas e automóveis, o governo ainda não fechou o momento de envio. Nas últimas duas semanas, o ministério da Fazenda tem mantido reuniões com representantes setoriais para tentar construir um acordo. Apesar de as conversas estarem avançadas e com demonstrações de boa vontade de todos os lados, ainda não foram fechados acordos definitivos. Se isso não ocorrer, o governo vai esperar passar as eleições para mandar a MP, o que significaria perder pelo menos dois meses de arrecadação em 2027. Os setores de automóveis, tabaco e bebidas estão tendo as principais discussões. Orçamento com despesas obrigatórias mais comportadas Além da definição sobre os impostos da Reforma Tributária, o governo deve apresentar um PLOA com um cenário menos estressado em torno da trajetória das despesas obrigatórias. Fatores como o menor volume de precatórios e as medidas que têm sido tomadas para conter alguns gastos, como a recente aprovação no Congresso de gatilho para fazer com que elas cresçam em linha com a regra do arcabouço fiscal (2,5% mais a inflação), em caso de déficit primário (que deve ocorrer neste ano mais uma vez). A medida deve ajudar a conter em cerca de R$ 10 bilhões os gastos no próximo ano, o que se soma a algumas antecipações de despesas para 2026 e um cenário de sentenças judiciais bem mais comportado. Nesse contexto, a despesa discricionária estava com sinal de crescimento da ordem de 10% para o próximo ano, embora as contas ainda estejam sendo refinadas. Para o ano que vem, a meta de resultado primário é de um saldo positivo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 73 bilhões. Mas vale lembrar que há possibilidade de se descontar algumas despesas da meta e ainda contar com a banda de tolerância de 0,25% do PIB, embora no envio do orçamento isso não seja utilizado.
Governo Lula decide incluir previsão de receita de tributos criados pela Reforma Tributária no Orçamento de 2027
Segue indefinido, porém, se Palácio do Planalto mandará ao Congresso a MP do tributo ou se vai deixar para depois das eleições; decisão depende de acordo ainda não fechado com setores envolvidos








