"Nosso Norte é o Sul." A frase de Joaquín Torres García —pintor uruguaio conhecido por seu desenho do mapa da América do Sul invertido, em que os países meridionais ganham o protagonismo em geral reservado aos setentrionais— parece se relacionar com a proposta de Fernanda Feitosa.

A diretora das feiras SP-Arte e Rotas diz que o mundo está se reorganizando, com polos regionais agora muito fortes. Os centros gravitacionais do circuito das artes não são mais somente os Estados Unidos e a Europa, ela argumenta, dado que regiões como a América Latina, a África e o Oriente Médio despontam como produtoras de arte e mercados importantes do setor.

Pintura de La Chola Poblete à venda na galeria argentina Barro, na feira Rotas - https://helius.corp.folha.com.br/imagem/1874070352724582/preview/Divulgação

Nesta geografia anticolonial, o Brasil tem condições de se estabelecer como ponto de parada para as galerias latinas, segundo ela, sobretudo São Paulo, devido à força econômica da cidade, o tamanho do mercado local e a pujança da vida cultural. "Não tem por que Miami ser o centro de encontro da América Latina, dentro dos Estados Unidos", afirma.

Ela se refere à edição de Miami da feira Art Basel, praça internacional de negócios onde galeristas e artistas brasileiros, argentinos, mexicanos, colombianos e peruanos se encontram e acessam os colecionadores e as instituições dos Estados Unidos.