A direita brasileira imaginou que poderia se aproveitar da força eleitoral do bolsonarismo sem se submeter a ele. Dez anos depois da ascensão de Jair Bolsonaro, a aposta se revelou um erro, avalia a antropóloga Isabela Kalil, uma das principais pesquisadoras da extrema-direita no País.

Em entrevista a CartaCapital, ela afirma que a família Bolsonaro hegemonizou esse campo político enquanto seus antigos aliados abriam mão de contê-la — e vê no afastamento do Centrão da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) um sinal de que essa relação começa, enfim, a mudar.

Para Kalil, a eleição de 2026 abre assim nova inflexão na direita brasileira. Pela primeira vez, a família Bolsonaro disputa a Presidência enfraquecida pela prisão e inelegibilidade de Jair e sem conseguir reunir ao redor de Flávio boa parte das forças conservadoras que, nos últimos anos, toleraram ou aderiram ao seu projeto.

Esse afastamento se soma a outras contradições do bolsonarismo. Para vencer, Flávio precisa avançar entre as mulheres, eleitorado no qual Lula (PT) mantém vantagem expressiva, embora sua base ideológica permaneça profundamente machista.

Leia os destaques: