Há menos de dois meses de se enfrentarem nas urnas, Cleitinho manteve a vantagem em relação aos adversários na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, com 32% das intenções de voto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cleitinho Azevedo, Alexandre Kalil, Mateus Simões e Patrus Ananias são alguns dos postulantes ao governo de Minas Gerais em 2026 — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado, Rodrigo Lima/Divulgação, Vanessa Carvalho/Valor e Reprodução/Instagram Segundo maior colégio do país e visto como espelho da eleição presidencial, Minas Gerais caminha para uma disputa estadual em que a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo tende a não ter o mesmo peso observado na corrida nacional. Na liderança das pesquisas, a candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), lançada após um vaivém com o comando nacional de seu próprio partido, tem atraído apoio dos eleitores pelo discurso outsider. Em paralelo, concorrem dois candidatos apoiados por presidenciáveis de direita, mas ainda desconhecidos, e dois nomes que brigam pelo apoio da esquerda. Há menos de dois meses de se enfrentarem nas urnas, Cleitinho manteve a vantagem em relação aos adversários na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, com 32% das intenções de voto. O levantamento mostrou que, no eleitorado bolsonarista, que já esteve ao seu lado na vitória de 2022, 56% declaram apoio ao senador. O parlamentar marca 15% entre os petistas, mas tem 27% das intenções de voto de eleitores não alinhados a nenhum dos polos. Popular nas redes sociais, o senador ganhou projeção on-line por episódios que viralizaram, como quando pediu uma foto à influenciadora Virgínia Fonseca no depoimento dela na CPI das Bets no Senado. Em outro episódio, o senador chamou a atenção por ensinar em um vídeo uma estratégia para burlar a cobrança de pedágio em um município de Minas. Divergindo de outros parlamentares de direita, Cleitinho já elogiou o presidente Lula e afirmou que apoia o fim da escala 6x1, pauta do governo. Como bandeira de campanha, o senador propõe fim das apreensões de veículos por atraso no pagamento do IPVA e diz que quer “deixar de lado a ideologia” para renegociar a dívida do estado com a União, calculada em R$ 182 bilhões no início deste ano. Na disputa presidencial, no entanto, declarou voto no senador Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a manifestar preferência por apoiá-lo na corrida estadual, mas abriu mão do plano após semanas de indefinição. Cleitinho foi oficializado candidato em uma chapa formada somente pelo Republicanos — seu vice é Luís Eduardo Falcão. Sem indicados ao Senado, Cleitinho havia sinalizado inicialmente que apoiaria de maneira informal o ex-secretário estadual da Casa Civil Marcelo Aro (PP). Originalmente, os planos de Aro incluíam a participação na chapa de reeleição do atual governador Mateus Simões (PSD), mas os dois romperam publicamente depois que o ex-secretário ensaiou uma candidatura própria ao governo, movimentação vista pelo ex-aliado como uma traição. Eleição de Minas — Foto: Arte/O Globo Aposta em Flávio Isolado na federação União/Progressista, que decidiu apoiar Simões, Aro buscou aproximação com Cleitinho, acompanhando-o no anúncio da candidatura e em agendas pelo interior do estado. Na semana passada, no entanto, a aproximação passou a ser evitada pela campanha e pelo entorno de Cleitinho, que passou a argumentar que uma relação próxima poderia ser usada contra o senador durante a campanha. — Não há afastamento, nunca houve apoio formal a qualquer candidato ao Senado. Nossa coligação, com Republicanos e Podemos, não lançou candidato ao Senado. A federação União/Progressista, do candidato em questão, integra outra coligação, com seu próprio candidato ao governo — disse ao GLOBO Falcão, também coordenador da campanha de Cleitinho. O PL, por sua vez, tem como candidato o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas, Flávio Roscoe. Desconhecido entre os eleitores mineiros, o empresário aposta nas visitas de Flávio ao estado para alavancar sua campanha e atrair o eleitorado bolsonarista. No Datafolha, Roscoe obteve 4% das intenções de voto, o mesmo percentual obtido por Simões, apoiado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo), de quem foi vice. Na campanha, Simões tem defendido a gestão do antecessor, principalmente das críticas sobre o salto de 63% do endividamento de Minas com a União entre 2019 e 2025 e pela demora para a adesão ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), formalizada só no fim do ano passado. Como contrapartida, o tema tem sido usado por Simões para direcionar críticas ao governo federal, argumentando que Minas não recebe de volta, em investimentos, recursos proporcionais aos valores enviados para o pagamento dos débitos em aberto. — Eu não vou passar a mão na cabeça do governo Lula. Vamos perguntar ao presidente Lula, que está vindo a Minas Gerais esses dias, quando é que eles vão escolher os ativos que indicamos à federalização, porque não escolher custa R$ 60 milhões de juros para Minas todo mês — disse Simões, após levar o tema para o debate da Band há duas semanas. — Reclamei também que eles vêm até aqui, pegam o cheque gordinho dos juros que eles cobram todo mês, levam para Brasília e não reformam as estradas. Responsável por encabeçar o palanque de Lula em Minas, o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) tem devolvido as críticas e atribuído a dificuldade do estado para pagar a dívida ao desempenho da gestão Zema. Em campanha, o parlamentar também critica a privatização de estatais — defendida pelos candidatos da direita —, como a Cemig, companhia de energia elétrica, e a Copasa, empresa de saneamento básico em processo de desestatização. Patrus terá o desafio de rebater o discurso antipetista adotado pelos adversários, que apostam na lembrança negativa dos mineiros da gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT), mal avaliado por atrasar o salário de servidores. Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro dos primeiros mandatos de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Patrus foi escolhido após o PT receber negativas de outros possíveis candidatos, como o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que ficará fora das urnas, e da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), que concorrerá ao Senado. O partido também recebeu a recusa do também ex-prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil (PDT). Ele foi palanque de Lula no estado em 2022, mas, neste ano, concorrerá em uma coligação com o PSDB, comandado nacionalmente pelo deputado federal e ex-governador mineiro Aécio Neves. Crítico ao Propag, o pedetista diverge dos adversários ao defender a renegociação dos termos do acordo, alegando que não sobra dinheiro para investimentos na máquina pública e classificando o programa como uma “agressão ao estado”.
Voto nos estados: com Cleitinho na frente, polarização perde força na eleição de Minas
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