Ressecamento, acne, inflamações e algumas doenças dermatológicas estão entre as possíveis causas; sinais como dor, coceira intensa e sangramento indicam que é hora de buscar avaliação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nem toda pele áspera é ressecamento: dermatologista explica quando investigar — Foto: Magnific Uma pele que fica mais áspera, opaca ou irregular nem sempre está apenas respondendo ao envelhecimento ou à mudança de clima. A textura também pode ser afetada por ressecamento, acne, inflamações e outras condições dermatológicas. Por isso, antes de pensar em como melhorar a aparência da superfície, o primeiro passo é entender o que provocou a alteração, especialmente quando ela surge de maneira repentina ou vem acompanhada de outros sintomas. "De modo geral, alterações leves, estáveis e assintomáticas são consideradas benignas e ligadas ao envelhecimento natural ou aos hábitos de cuidado. No entanto, se a modificação ocorrer de forma abrupta ou progressiva e vier acompanhada de sinais como coceira intensa, dor, vermelhidão ou sangramento, a avaliação de um dermatologista se torna indispensável", explica a dermatologista Glauce Eiko. Há ainda um sinal que merece atenção especial: áreas que permanecem ásperas, com aspecto de placa ou casca, principalmente em regiões expostas ao sol, como rosto e antebraços. "Nesses casos, o que parece apenas uma rugosidade pode ser, na verdade, uma queratose actínica, uma lesão com potencial pré-cancerígeno", alerta a médica. A recomendação, portanto, é não tentar resolver qualquer alteração de textura apenas com cosméticos. O que pode mudar o relevo da pele No consultório, as queixas aparecem de maneiras diferentes. Algumas pessoas relatam uma sensação de "pele de lixa"; outras se incomodam com poros dilatados, falta de luminosidade ou pequenas depressões deixadas por cicatrizes de acne. Embora possam ter impacto na autoestima, essas características não têm necessariamente a mesma origem. A rotina de cuidados é um dos fatores que podem interferir. Sabonetes muito agressivos, banhos quentes e ambientes secos favorecem o ressecamento e podem deixar a pele com sensação de repuxamento. Há também condições dermatológicas, como queratose pilar, rosácea, psoríase e dermatites, capazes de alterar sua aparência e textura. "Processos de queratinização aumentada, como a queratose pilar, e sequelas de acne e inflamações anteriores podem deixar a superfície com aspecto áspero ou provocar cicatrizes atróficas. Condições como rosácea, psoríase e dermatites também demandam atenção, porque alteram a saúde do tecido cutâneo", diz Glauce. Essa diferenciação é importante porque uma pele ressecada não exige a mesma abordagem de uma pele com acne, cicatrizes ou uma doença dermatológica. O tratamento começa pela identificação da causa. Quando o skincare pode ajudar Em alterações relacionadas ao ressecamento ou à renovação celular, uma rotina adequada pode contribuir para melhorar a aparência da pele. Entre os ativos mais conhecidos estão os retinoides, derivados da vitamina A usados no tratamento da acne e do fotoenvelhecimento. "Os retinoides estimulam a renovação celular, aumentam a produção de colágeno e ajudam a melhorar a textura e o tom da pele", detalha Glauce. Apesar dos benefícios, eles podem provocar irritação, vermelhidão e descamação, principalmente no início. Por isso, a concentração e a frequência de uso precisam ser adequadas a cada pessoa. Os alfa-hidroxiácidos, como os ácidos glicólico e lático, também são utilizados para promover esfoliação química. Já o ácido salicílico costuma ser empregado em formulações voltadas para peles oleosas e acneicas. Niacinamida, vitamina C e ácido azelaico são outros ativos que podem fazer parte de estratégias para diferentes queixas, como inflamação, manchas e alterações de textura. A presença de um ativo, porém, não significa que ele seja indicado para qualquer pele. Uma rotina excessivamente agressiva pode piorar o ressecamento e comprometer a barreira cutânea. "É preciso considerar a condição da pele e o objetivo do tratamento. Nem sempre mais ativos ou uma esfoliação mais intensa significam um resultado melhor", acrescenta a dermatologista. Pele áspera ou com textura diferente? Quando a mudança pode ser sinal de alerta — Foto: Magnific E quando é necessário procurar um dermatologista? A avaliação profissional ganha importância quando a alteração persiste apesar dos cuidados básicos ou quando há outros sintomas associados. Dor, coceira intensa, inflamação, sangramento, mudança rápida ou uma lesão que não cicatriza são motivos para procurar atendimento. O dermatologista pode avaliar a superfície da pele, investigar o histórico do paciente e, se necessário, solicitar exames ou realizar procedimentos diagnósticos. Isso é especialmente importante em áreas expostas ao sol, onde alterações aparentemente discretas podem corresponder a lesões que precisam de acompanhamento. Procedimentos não substituem o diagnóstico Lasers, peelings, tecnologias de estímulo de colágeno e outros procedimentos dermatológicos podem ser utilizados para determinadas alterações de textura, mas não devem ser apresentados como solução universal. A indicação depende da causa, do tipo de pele, do histórico do paciente e do resultado que se pretende alcançar. O mesmo vale para procedimentos mais invasivos. Cicatrizes de acne, por exemplo, podem exigir estratégias diferentes de uma alteração provocada exclusivamente por ressecamento. Em alguns casos, a combinação de técnicas pode ser considerada; em outros, uma rotina de cuidados é suficiente. A questão central, portanto, não é encontrar o produto ou o procedimento mais potente, mas entender por que a textura da pele mudou. Quando a alteração é recente, progressiva ou acompanhada de sintomas, a prioridade deixa de ser estética e passa a ser clínica.
Pele áspera não é sempre ressecamento: entenda quando a textura merece atenção
Ressecamento, acne, inflamações e algumas doenças dermatológicas estão entre as possíveis causas; sinais como dor, coceira intensa e sangramento indicam que é hora de buscar avaliação







