A adolescência sempre foi a idade oficial dos riscos —e das más decisões. É a época de cair da bicicleta, de gesso no braço, de aparelho nos dentes e de deixar os pais de cabelo em pé. Tempo de morrer de amor, testar os limites do mundo —e os próprios.

A geração Z parece ter decidido rever esse contrato. Os jovens adultos estão bebendo menos, transando menos, dirigindo menos, casando menos, tendo menos filhos e investindo de forma mais conservadora. Em "Generations" (ainda sem tradução, até onde sei), a psicóloga Jean Twenge analisa, com uma séria de estatísticas, a queda significativa nos comportamentos de risco.

Seria tentador comemorar, principalmente em relação ao álcool. O que parece prudência, entretanto, pode sinalizar uma mudança cultural problemática: a geração fica mais protegida dos perigos, mas também das experiências que ensinam a enfrentá-los.

Esse recuo não aconteceu sozinho. Com ele, diminuíram experiências que exigem exposição e alguma tolerância ao fracasso. Há uma desconfiança da capacidade dos jovens de construir uma vida que não venha acompanhada de garantias —desconfiança que começa nos pais e acaba dominando os próprios jovens.

Quando eu era adolescente, meus pais não conseguiam rastrear onde eu estava. Era inimaginável. Eu era de correr grandes riscos, fiz algumas besteiras que eles nunca souberam e, graças a Deus, passei ilesa. Se me perguntassem se gostaria que meus filhos agissem com a mesma imprudência a resposta seria não. E aqui me pego contradizendo —o que é uma boa definição de ser mãe: quero e não quero que eles experimentem, testem, se arrisquem e se percam por aí até se encontrarem.