Polícia Militar anunciou a ocupação da Cidade Alta. A permanência de um efetivo na comunidade faz parte de um plano para conter os confrontos na região 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Poder de fogo. Um policial do Bope mostra um dos artefatos apreendidos — Foto: PMERJ O Terceiro Comando Puro (TCP) mostrou mais uma vez como transformou o Complexo de Israel — conjunto de cinco favelas na Zona Norte — em um território quase que inexpugnável. Numa operação ontem, a Polícia Militar encontrou pelo menos cinco explosivos em carros e barricadas na Cidade Alta, em Cordovil. Os agentes foram surpreendidos pelas armadilhas, uma estratégia até então desconhecida. As barreiras estavam com detonadores, que poderiam ser acionados à distância. Mas as equipes conseguiram isolar a área e removeram os artefatos sem que houvesse explosões. A ação, que se estendeu às favelas Cinco Bocas e Pica-Pau, mobilizou 200 policiais e começou de madrugada. Houve intenso tiroteio. Um suspeito morreu, e um motorista de ônibus que seguia a pé para o trabalho foi atingido no ombro por uma bala perdida. Douglas Santos de Souza foi socorrido por outro rodoviário. À tarde, ele recebeu alta do Hospital Getúlio Vargas. Por causa do confronto, a Avenida Brasil e a Rodovia Washington Luiz foram fechadas ao trânsito momentaneamente por medida de segurança. Dezesseis escolas municipais na região suspenderam as aulas. Durante operação no Complexo de Israel, PM encontrou carros com explosivos — Foto: Reprodução/TV Globo — A nossa ação foi de extrema importância no sentido de demonstrar ao poder paralelo que as forças de segurança podem e devem se fazer presentes em qualquer território do Rio de Janeiro. Pudemos comprovar tamanha ousadia daqueles criminosos, que utilizaram explosivos com acionamento remoto, numa verdadeira estratégia de guerra — disse o secretário da Polícia Militar, Sylvio Guerra. À tarde, a Polícia Militar anunciou a ocupação da Cidade Alta. A permanência de um efetivo na comunidade faz parte de um plano para conter os confrontos na região. — Estamos instalando uma ocupação naquele território — divulgou o major Maicon Pereira, porta-voz da corporação, sem detalhar a duração da medida nem o número de agentes empregados. Guerra com o CV De acordo com o oficial, criminosos da Cidade Alta têm entrado em confronto, principalmente, com traficantes do Complexo da Penha e do Morro do Quitungo, ambos controlados pelo Comando Vermelho. — Eles acabam deixando a população em risco. Estavam colocando até mesmo explosivos em drones, ou seja, há moradores que não estão envolvidos no confronto e que acabam ficando sujeitos a esses riscos — afirmou o oficial. O Complexo de Israel é controlado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos chefes do TCP. Além de ter batizado o conglomerado de favelas e espalhado pela região símbolos de Israel, ele transformou as comunidades em fortalezas. Uma de suas estratégias foi a abertura de valas profundas nas vias, como na Rua Jorge Coelho, em frente à estação Cordovil, que impede a passagem de carros da polícia, de rivais, prestadores de serviços públicos e moradores. Uma imagem registrada no local mostra um veículo quase caindo no fosso. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) mostrou o funcionamento dos explosivos encontrados ontem. — Esse é um acionador remoto para dispositivo explosivo improvisado que permite detonar uma carga à distância. Ele conecta (os polos) positivo e negativo nas terminações (do acionador), coloca (o equipamento) em um ponto específico e o aciona pelo controle remoto — explica o policial. ‘Técnica de guerrilha’ De acordo com a corporação, os artefatos estavam colocados em barricadas e três carros no Complexo de Israel. Os dispositivos mostrados no vídeo foram retirados de uma barreira feita com pneus. — É uma técnica de guerrilha; já somos preparados para isso — detalhou o major Pereira. — Achamos cinco explosivos. Eles são incendiários e também podem lançar estilhaços, que podem machucar as pessoas a até dez metros de distância. Quanto mais próximo, maior o dano. Para o escritor e especialista em segurança Alessandro Visacro, a adoção de novas táticas de combate demonstra uma expansão dos recursos do portfólio das organizações criminosas: — Os grupos armados têm ampliado ao longo do tempo suas técnicas militares, e eles adquirem esse conhecimento, sobretudo, de forma empírica. O Rio vive um conflito de baixa intensidade urbano há muito tempo, e a gente se nega a admitir isso. E esses criminosos empregam técnicas que podem ser consideradas de terrorismo há longa data — disse. — Para entender o objetivo do uso de carros-bomba, é necessário saber qual era a carga destrutiva. Porque eles podem ter sido colocados para causar baixas em quem for retirar a barricada ou para prejudicar o veículo blindado. *Ana Sobbe é aluna do curso Jornalismo do Futuro sob supervisão de Rafael Galdo *Amanda Rosa é estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga
Barricadas com explosivos encontradas pela PM na Cidade Alta tinham acionamento por controle remoto
Polícia Militar anunciou a ocupação da Cidade Alta. A permanência de um efetivo na comunidade faz parte de um plano para conter os confrontos na região








