Não existe ‘justiça com as próprias mãos’. Apenas ao Judiciário cabe fazer justiça e zelar pelo cumprimento da lei 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cláudio Rafael foi agredido com pauladas, socos e chutes — Foto: Reprodução / TV Globo A polícia, o Ministério Público e a Justiça do Rio precisam dar resposta exemplar à barbárie perpetrada na semana passada em Copacabana contra Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, espancado e morto por um segurança clandestino e dois entregadores que o confundiram com um ladrão de bicicleta (ha ainda um terceiro suspeito). Cláudio, que não estava armado e não tinha antecedentes criminais, usava uma bicicleta da irmã num passeio pelo bairro. Segundo a família, tinha transtornos mentais. Não se trata apenas de crime, mas de uma afronta aos mais básicos valores civilizatórios. Linchamentos não podem ser tolerados numa sociedade democrática. Como revelaram câmeras de segurança, em apenas seis minutos sucederam-se 57 pauladas e um sem-número de socos, chutes e golpes na cabeça. São cenas abomináveis, injustificáveis sob qualquer circunstância. Se havia suspeita, o certo seria chamar um policial ou guarda para verificar. A violência gratuita e desmedida fica patente no laudo da polícia técnica, que apontou traumatismo no crânio, hemorragia interna e lesões no baço e no rim esquerdo. Cláudio foi levado a um hospital, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. “Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos”, disse o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP. Estão presos temporariamente os seguranças David Santos Machado (acusado de espancar Cláudio), Jorge Luiz Ricardo Dias (por atuação indireta) e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. A polícia ainda procura um outro agressor. Os suspeitos devem responder por homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Infelizmente, o episódio de Copacabana não é caso isolado. No ano passado, houve no estado 1.609 ocorrências semelhantes, 40% delas na capital. A chaga dos linchamentos não acontece só no Rio. Ao longo dos anos, inúmeros crimes do tipo foram registrados no país. Um dos mais conhecidos vitimou em 2014 a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, no Guarujá, litoral paulista. Ela foi espancada até a morte por moradores de um bairro da periferia ao ser confundida com uma sequestradora de crianças, depois que um retrato falado se disseminou pelas redes sociais. Pelos boatos, o sequestro era para rituais macabros. Não passava de fake news. Fabiane deixou duas crianças. Polícia e guarda municipal é que têm a missão de cuidar da segurança pública, sempre respeitando as leis, e não cidadãos que se acham no direito de agredir com base em suposições ou desinformação. Não existe “justiça com as próprias mãos”. Quem faz justiça é apenas a própria Justiça. Fora dela, o que existe é milícia ilegal, que deve ser reprimida. Cidadãos que espancam e matam, sob qualquer pretexto, são tão bandidos quanto os bandidos que fingem combater. Devem ser identificados, julgados e condenados sob o rigor das mesmas leis que tanto desprezam.
Linchamento hediondo de ciclista em Copacabana exige punição exemplar
Não existe ‘justiça com as próprias mãos’. Apenas ao Judiciário cabe fazer justiça e zelar pelo cumprimento da lei















