A Polícia Federal conduziu investigações; o Supremo Tribunal Federal processou o caso à luz do Estado de Direito; o próprio Jair Bolsonaro (PL) admitiu, a seu modo, ter participado de articulações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ainda assim, há quem insista em negar a tentativa de golpe após a eleição de 2022.

Muito pior, às vésperas de mais uma disputa presidencial no Brasil, há quem repita as mesmas suspeitas infundadas quanto à lisura do pleito, como se a vitória de Lula representasse, por si só, prova incontestável de manipulação das urnas eletrônicas.

Foi o que sinalizou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em março, meses antes de oficializar a candidatura à Presidência: "Se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós venceremos".

O herdeiro político de Jair finge ignorar que o Brasil soma quase 40 anos seguidos de eleições diretas, livres e justas. Nesse período, nossa democracia esteve sob ameaça uma única vez: justamente quando Bolsonaro fez de tudo para se manter no poder.

Conforme concluiu a Polícia Federal em inquérito sobre a trama golpista, o ex-presidente só não atingiu seu objetivo "em razão de circunstâncias alheias à sua vontade". A saber, o vigor das instituições e a resistência de parte relevante das Forças Armadas.