0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Após preços da carne bovina aumentaram nos EUA, Trump libera importação de carne moída sem tarifa — Foto: Olivia Harris/Bloomberg A carne moída que terá a tarifa liberada por Donald Trump para importações de até 300 mil toneladas em 90 dias é do dianteiro do boi, o mesmo corte exportado pelo Brasil para a China. Com a cota de exportação para o gigante asiático sem sobretaxa já esgotada, a informação pode parecer uma boa notícia. O professor Felippe Serigati, da FGV Agro, explica, no entanto, que, mesmo que o Brasil abocanhasse toda essa brecha aberta para vendas aos Estados Unidos, é muito pouco provável que o volume fosse suficiente para compensar a quantidade de carne que o país deve deixar de enviar à China neste ano. Para se ter uma ideia, o Brasil enviou 1,8 milhão de toneladas de carne bovina para a China e Hong Kong no ano passado. A cota sem sobretaxa é de 1,1 milhão de toneladas. Já para os Estados Unidos, segundo maior comprador, os embarques de carne bovina brasileira foram de 272 mil toneladas em 2025. — O cumprimento da cota não significa que os embarques de carne para a China serão completamente interrompidos. Mas uma queda é esperada. Quanto, não se sabe, pois essa é uma medida inédita. De qualquer maneira, não se deve supor que essa abertura de exportação para os Estados Unidos absorva essa diferença — afirma Serigati. 'O período de transição para um mundo multipolar é inerentemente instável', diz o cientista político britânico Samir Puri Para aqueles que alimentam a esperança de que a redução da exportação para o mercado chinês represente carne mais barata à mesa, o professor afirma não ver esse cenário no horizonte. E explica com números: — A arroba do boi fechou quinta-feira a R$ 345,70. Quando olho o mercado futuro, a previsão para o preço em dezembro é de R$ 368. Então, nada indica que o consumidor vá encontrar carne mais barata no açougue. Expectativa econômica futura do Brasil piora e é a mais pessimista da América Latina, aponta sondagem da FGV Serigatti esclarece, no entanto, que não é a venda para o mercado chinês ou americano que encarece os cortes que chegam à mesa do brasileiro. Ele explica que enquanto os chineses consomem os cortes dianteiros, a preferência dos brasileiros são os posteriores. — Em última instância, essa exportação permite o aumento da oferta desses cortes à mesa brasileira — afirma.